É verdade que o Brasil vai ter o maior imposto do mundo?

Três medidas de quanto se cobra de imposto, cada uma com a sua fonte: os impostos em proporção do Produto Interno Bruto (PIB), em 2024, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE); a alíquota de referência da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), a parte federal do imposto novo, a única já calculada, pelo Tribunal de Contas da União em 28/10/2026; e a parte dos impostos que vem do consumo, em 2024, também da OCDE.

Siglas desta página (6)

PIB, Produto Interno Bruto. OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. CBS, Contribuição Social sobre Bens e Serviços. CSV, valores separados por vírgula. IBS, Imposto sobre Bens e Serviços. IVA, imposto sobre valor agregado.

Os impostos em proporção do PIB

Em 2024, 26 dos 128 países e territórios com esse número arrecadaram mais que o Brasil, em proporção do PIB; entre os 28 da América Latina e do Caribe, nenhum arrecadou mais.

Nos 128 países e territórios com o número de 2024, a arrecadação em proporção do PIB vai de 3,1% (Somália) a 45,2% (Dinamarca).

Nos números do próprio Brasil, a carga foi de 32,20% do PIB em 2024, na conta da Receita Federal, e de 32,40% em 2025, na estimativa do Tesouro Nacional.

Como cada um mede

A OCDE soma os tributos de todos os níveis de governo de cada país, pela mesma classificação para todos, e divide pelo PIB do país; por isso o seu número do Brasil não é igual ao do próprio país.

A Receita divide pelo PIB os tributos dos três níveis de governo, pela metodologia nova, sem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e o Sistema S; com eles, a carga de 2024 seria de 34,12% do PIB.

O Tesouro estima a carga pelo Manual de Estatísticas de Finanças Públicas de 2014 do Fundo Monetário Internacional e diz que o dado oficial é o da Receita Federal.

  1. Canadá34,9%
  2. Reino Unido34,4%
  3. Média da OCDE34,1%
  4. Brasil33,7%
  5. Japão202333,7%
  6. Argentina27,6%
  7. África do Sul202326,5%
  8. Estados Unidos25,6%
  9. América Latina e Caribe21,7%
  10. Chile20,5%
  11. China19,5%
  12. México18,3%

Em % do PIB, em 2024 ou, onde o país não tem esse ano, no mais recente antes dele, dito ao lado do nome. Em itálico, as médias.

A Índia não tem esse número na tabela da OCDE.

Fonte: OCDE, estatísticas de receita  Ver na fonte  Baixar os dados, valores separados por vírgula (CSV)

Estatísticas da OCDE lidas em 04/11/2026; números oficiais do Brasil lidos em 03/11/2026.

A alíquota do imposto novo sobre o consumo

O total do imposto novo ainda não foi fixado: para 2027 só há a alíquota de referência da parte federal, a CBS, de 11,3%, calculada pelo Tribunal de Contas da União em 28/10/2026; o Senado fixa, e a parte dos estados e dos municípios, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), ainda não tem número. Ver 2027 no calendário da reforma

Nos 7 países da lista com uma alíquota geral do imposto sobre valor agregado (IVA), ela vai de 10% (Japão) a 21% (Argentina).

A faixa cobre só os países da lista, cada um lido na página da sua autoridade tributária: a tabela da OCDE com todos os países ainda não pode ser usada, porque os termos de uso dela não foram lidos.

O que diz a lei sobre os 26,5%

Se a soma das alíquotas estimadas passar de 26,5%, o governo federal, ouvido o Comitê Gestor do IBS, deve mandar ao Congresso, até 90 dias depois de concluída a avaliação, um projeto de lei complementar com medidas que levem a soma a 26,5% ou menos.

Caso a soma das alíquotas de referência estimadas de que trata o § 10 resulte em percentual superior a 26,5% (vinte e seis inteiros e cinco décimos por cento), o Poder Executivo da União, ouvido o Comitê Gestor do IBS, deverá encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei complementar propondo medidas que reduzam o percentual a patamar igual ou inferior a 26,5% (vinte e seis inteiros e cinco décimos por cento).

Lei Complementar 214/2025, art. 475, §§ 11 e 12, I, lido em 02/11/2026

  1. Argentina21%
  2. Reino Unido20%
  3. Chile19%
  4. México16%
  5. África do Sul15%
  6. China13%
  7. Japão10%

Todas as alíquotas deste bloco são cobradas sobre o preço sem o imposto, como cada autoridade as publica, e a CBS e o IBS também serão (Lei Complementar 214/2025, art. 12, § 2º, I).

  • O Brasil fica sem barra: o imposto novo ainda não tem uma alíquota total para pôr ao lado das outras.
  • No Japão, os 10% somam a parte nacional, de 7,8%, e a parte local, de 2,2%.
  • Na China, os 13% são a maior das três alíquotas do imposto; as outras são de 9% e de 6%.
  • O Canadá fica sem barra: a alíquota muda de uma província para outra, porque cada uma soma o seu imposto ao federal.
  • A Índia fica sem barra: o imposto tem várias alíquotas, cada uma para uma lista de bens, e nenhuma é a geral.
  • Os Estados Unidos ficam sem barra: o país não tem um imposto nacional sobre valor agregado nem sobre vendas, e cada estado e cada cidade decide o seu.
  • A área do euro e os países da OCDE juntos não são países e não têm uma alíquota.
O que cada alíquota cobre
  • Reino Unido: a maior parte dos bens e serviços.
  • Japão: a alíquota geral, desde 01/10/2019.
  • México: a alíquota da lei do imposto, que a página dá ao explicar a importação; página atualizada em 03/10/2017.
  • Argentina: a alíquota geral da lei do imposto, art. 28, no texto em vigor.
  • Chile: a alíquota do imposto, fixada no art. 14 da lei; página atualizada em 10/06/2025.
  • China: a venda e a importação de bens, menos os que a lei põe na alíquota de 9%; página atualizada em 03/06/2026.
  • África do Sul: os bens e serviços vendidos por quem tem o registro do imposto.

Fonte: autoridades tributárias de cada país  Ver na fonte: Reino Unido, Japão, México, Argentina, Chile, China e África do Sul  Baixar os dados (CSV)

Páginas das autoridades lidas em 03/11/2026; a CBS de 2027 no site do Tribunal de Contas da União, lido em 02/11/2026.

A parte dos impostos que vem do consumo

Em 2024, em 70 dos 128 países e territórios com esse número, os tributos sobre bens e serviços foram uma parte maior dos impostos que no Brasil; entre os 28 da América Latina e do Caribe, em 19.

Nos 128 países e territórios com o número de 2024, a parte dos tributos sobre bens e serviços vai de 9,9% (Hong Kong) a 97,0% (Vanuatu).

Na conta da Receita Federal, os bens e serviços foram 43,49% de toda a arrecadação do Brasil em 2024.

  1. Argentina54,9%
  2. Chile53,6%
  3. América Latina e Caribe49,2%
  4. Brasil42,7%
  5. África do Sul202340,4%
  6. China37,0%
  7. México36,2%
  8. Média da OCDE202331,2%
  9. Reino Unido29,6%
  10. Canadá21,6%
  11. Japão202320,2%
  12. Estados Unidos16,1%

Em % de todos os impostos, em 2024 ou, onde o país não tem esse ano, no mais recente antes dele, dito ao lado do nome. Em itálico, as médias.

A Índia não tem esse número na tabela da OCDE.

Fonte: OCDE, estatísticas de receita  Ver na fonte  Baixar os dados (CSV)

Estatísticas da OCDE lidas em 04/11/2026; a conta da Receita Federal lida em 03/11/2026.

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