Propostas de uma inteligência artificial

Propostas para as contas públicas, do Presidente aos prefeitos, escritas por um modelo de inteligência artificial em 31/10/2026.

Siglas desta página (70)

PIB, Produto Interno Bruto. LDO, Lei de Diretrizes Orçamentárias. PLOA, Projeto de Lei Orçamentária Anual. PLN, Projeto de Lei do Congresso Nacional. Selic, Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Copom, Comitê de Política Monetária. BPC, Benefício de Prestação Continuada. IFI, Instituição Fiscal Independente. RAF, Relatório de Acompanhamento Fiscal. RCL, Receita Corrente Líquida. LRF, Lei de Responsabilidade Fiscal. Capag, Capacidade de Pagamento. RRF, Regime de Recuperação Fiscal. PEF, Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal. PLDO, Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias. SIGA, sistema do Senado Federal com os dados do orçamento da União. INSS, Instituto Nacional do Seguro Social. CMN, Conselho Monetário Nacional. IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados. IOF, Imposto sobre Operações Financeiras. PIS, Programa de Integração Social. Cofins, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. CBS, Contribuição Social sobre Bens e Serviços. PGFN, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. PTI, Programa de Transação Integral. PPI, Programa de Parcerias de Investimentos. GAO, Government Accountability Office. TCU, Tribunal de Contas da União. PEC, Proposta de Emenda à Constituição. SUS, Sistema Único de Saúde. PLP, Projeto de Lei Complementar. IRPF, Imposto de Renda da Pessoa Física. Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. LCI, Letras de Crédito Imobiliário. LCA, Letras de Crédito do Agronegócio. CRI, Certificados de Recebíveis Imobiliários. CRA, Certificados de Recebíveis do Agronegócio. CDB, Certificado de Depósito Bancário. MP, Medida Provisória. IBS, Imposto sobre Bens e Serviços. OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. OECD, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. ICMS, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Confaz, Conselho Nacional de Política Fazendária. PPP, parceria público-privada. BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. IPTU, Imposto Predial e Territorial Urbano. SII, Servicio de Impuestos Internos. ISS, Imposto sobre Serviços. STF, Supremo Tribunal Federal. CNJ, Conselho Nacional de Justiça. SC, Santa Catarina. RPPS, regime próprio de previdência social. ISP, Indicador de Situação Previdenciária. Cadprev, Sistema de Informações dos Regimes Públicos de Previdência Social. LED, diodo emissor de luz. CGSIM, Comitê para Gestão da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios. MEI, microempreendedores individuais. OMC, Organização Mundial do Comércio. TEC, Tarifa Externa Comum. UE, União Europeia. EFTA, Associação Europeia de Livre Comércio. MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. CSLL, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. ONU, Organização das Nações Unidas. QDMTT, Tributo Complementar Mínimo Doméstico Qualificado. MGI, Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. OEA, Operador Econômico Autorizado.

É opinião, não dado. Cada número do texto vem da fonte oficial que ele cita, e os números são os que as fontes publicavam nesse dia.

O Prumo publica estas propostas para começar uma conversa, não para dizer a ninguém como votar.

As contas públicas hoje

O retrato das contas da União, dos estados e dos municípios, escrito em 31/10/2026, com a fonte e a data de cada número.

Resultado primário e meta fiscal

O resultado primário é o que sobra ou falta nas contas públicas antes de pagar os juros da dívida. Somando União, estados, municípios e estatais, faltaram R$ 70,1 bilhões nos 12 meses até setembro de 2026, ou 0,52% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Central. Só no governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), o déficit de janeiro a setembro de 2026 foi de R$ 93,6 bilhões, pela conta do Banco Central.

Para o governo central, a meta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 é um superávit de R$ 34,3 bilhões (0,25% do PIB), com uma margem de tolerância que vai de zero a um superávit de R$ 68,5 bilhões. Ficar acima desse teto não conta como descumprir a meta. Em setembro, o governo projetou para 2026 um déficit de R$ 80,9 bilhões (0,59% do PIB), que cai para R$ 13,6 bilhões depois de tirar da conta R$ 67,3 bilhões que a lei permite descontar, como os precatórios (dívidas que a Justiça mandou pagar).

Por isso, segurou (contingenciou) R$ 13,6 bilhões de gastos para chegar ao piso da meta; somado ao bloqueio feito para respeitar o limite de gastos, a contenção total ficou em R$ 16,1 bilhões.

O número de hoje, no Prumo: Resultado primário e Meta fiscal.

Fontes:

Juros da dívida

Nos 12 meses até setembro de 2026, os juros da dívida do setor público somaram R$ 1.205,0 bilhões, 8,99% do PIB, contra R$ 984,8 bilhões (7,86% do PIB) nos 12 meses até setembro de 2025. O Banco Central conta os juros devidos no período, pagos ou não. Somados ao déficit primário, os juros levaram o déficit total, chamado resultado nominal, a R$ 1.275,1 bilhões, 9,51% do PIB.

A taxa básica de juros, a taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), ficou em 15% ao ano de 19 de junho de 2025 a 18 de março de 2026 e está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026. Em agosto de 2026, 52,74% da Dívida Pública Federal estava em títulos de taxa flutuante, que acompanham a Selic, a maior parcela da série histórica, iniciada em dezembro de 2000.

O custo médio dessa dívida em 12 meses foi de 12,59% ao ano, segundo o Tesouro Nacional.

O número de hoje, no Prumo: Juros da dívida e Juro básico.

Dívida bruta e dívida líquida

A dívida bruta do governo geral, que soma o que devem União, Previdência Social, estados e municípios, chegou a 82,9% do PIB em setembro de 2026, ou R$ 11,1 trilhões, segundo o Banco Central. Ela era de 75,3% em dezembro de 2018, chegou a 86,9% em dezembro de 2020, no ano da pandemia, e caiu a 71,7% em dezembro de 2022.

Depois, subiu a 77,8% em setembro de 2025 e a 78,6% em dezembro de 2025. A dívida líquida, que inclui o Banco Central e as estatais e desconta o que o setor público tem a receber, como as reservas internacionais, foi a 70,0% do PIB (R$ 9,4 trilhões). Ela era de 52,8% em dezembro de 2018, 61,4% em dezembro de 2020, 56,1% em dezembro de 2022 e 65,2% em dezembro de 2025.

De janeiro a setembro de 2026, a dívida bruta subiu 4,3 pontos do PIB: os juros acrescentaram 7,2 pontos e a emissão líquida de títulos 1,1 ponto, enquanto o crescimento do PIB em reais tirou 3,9 pontos e a valorização do real tirou 0,2 ponto.

O número de hoje, no Prumo: Dívida do governo.

Peso dos gastos obrigatórios

Para 2026, o governo federal projeta R$ 2.667,7 bilhões de despesas primárias, que são as despesas sem contar os juros. Delas, R$ 2.423,4 bilhões (90,8%) estão classificadas como obrigatórias, e sobram R$ 244,4 bilhões (9,2%) para os gastos que o governo escolhe, como obras e custeio dos ministérios. Só os benefícios do Regime Geral de Previdência Social (aposentadorias, pensões e auxílios do Instituto Nacional do Seguro Social) custam R$ 1.119,4 bilhões, cerca de 42% do total e 8,20% do PIB, contra R$ 786,4 bilhões arrecadados para esse regime.

A despesa com pessoal e encargos sociais da União soma R$ 445,4 bilhões. O Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, custa R$ 142,9 bilhões, junto com a Renda Mensal Vitalícia. Antes dessas despesas, R$ 634,7 bilhões da arrecadação federal são repassados a estados e municípios por regras da Constituição e de leis.

A Constituição também obriga a União a aplicar em 2027 pelo menos R$ 272,2 bilhões em saúde e R$ 138,8 bilhões em educação, segundo a análise da proposta de orçamento feita pelas consultorias da Câmara e do Senado. No cenário base da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, de junho de 2026, os gastos que não são obrigatórios nem rígidos ficam perto do mínimo de 0,7% do PIB que a máquina pública precisa para funcionar.

Nesse cenário, o limite de gastos da Lei Complementar 200/2023 se torna insuficiente a partir de 2028.

Fontes:

Gastos tributários

Gasto tributário é o imposto que o governo federal deixa de cobrar por causa de isenções, descontos e regimes especiais. A Receita Federal estimou esse valor em R$ 612,84 bilhões para 2026, 4,43% do PIB e 20,20% das receitas que ela administra. Os maiores são o Simples Nacional, regime das micro e pequenas empresas (21,91% do total), os benefícios da agricultura e da agroindústria (12,93%), os rendimentos isentos do Imposto de Renda das pessoas (10,31%) e as entidades sem fins lucrativos (9,13%).

A Lei Complementar 224, de 2025, mandou cortar 10% de um amplo conjunto desses benefícios. A Emenda Constitucional 109, de 2021, mandou o governo enviar ao Congresso um plano para que eles caiam a no máximo 2% do PIB em até oito anos. Há exceções, como o Simples Nacional, as entidades sem fins lucrativos, a Zona Franca de Manaus e a cesta básica.

Contas dos estados

Somados, os estados tinham dívida líquida de 7,51% do PIB em setembro de 2026 e déficit primário de 0,11% do PIB nos 12 meses até setembro, contra um superávit de 0,14% do PIB um ano antes, segundo o Banco Central. Em 2024, os estados gastaram R$ 620,4 bilhões com pessoal, mais da metade da receita corrente de R$ 1.174,8 bilhões, e os tesouros estaduais puseram R$ 154,8 bilhões para cobrir a falta de dinheiro da previdência dos servidores, segundo o Tesouro Nacional.

No segundo quadrimestre de 2026, Rio Grande do Norte (55,17%), Paraíba (51,47%) e Acre (49,03%) passaram do limite de 49% da Receita Corrente Líquida (RCL), a receita do dia a dia do estado, para o gasto com pessoal do Poder Executivo. O Rio de Janeiro era o único estado com dívida acima do limite de duas vezes a RCL (211%), seguido por Rio Grande do Sul (168%) e Minas Gerais (147%).

Fontes:

Estados em dificuldade e renegociação da dívida

Na nota de Capacidade de Pagamento (Capag) de 2025, do Tesouro Nacional, 21 das 27 unidades da Federação podiam tomar empréstimos com garantia da União; Acre, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul ficaram com nota C, e Minas Gerais e Rio de Janeiro com nota D, notas que não dão acesso a essa garantia.

Segundo o mesmo boletim, em 2025 Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul estavam no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), programa da União para estados com as contas em crise. O Rio Grande do Norte participava do Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), que dá acesso a empréstimos com garantia da União em troca de medidas de ajuste.

De janeiro a agosto de 2026, a União pagou R$ 3,13 bilhões de dívidas de estados e municípios que ela garantia, e R$ 89,66 bilhões desde 2016. Em 2025, a Lei Complementar 212 criou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), com prazo de até 30 anos e juros de 0% a 2% ao ano acima da inflação; quem estava no RRF precisou sair dele para entrar no programa.

Só Distrito Federal, Mato Grosso, Pará, Paraná e Santa Catarina não aderiram. A IFI do Senado estima que, com o programa, a União pode deixar de receber R$ 350,3 bilhões em 30 anos, em valores trazidos para hoje. Quando se contam os pagamentos antecipados que parte dos estados fez, a conta fica em R$ 190,7 bilhões (em reais de 2026).

Fontes:

Contas dos municípios

Somados, os municípios tiveram superávit primário de 0,05% do PIB nos 12 meses até setembro de 2026 e dívida líquida de 0,63% do PIB, segundo o Banco Central. Em 2024, a dívida das prefeituras somava R$ 274,1 bilhões, 25,2% dela com a União e 20,3% em precatórios, e o gasto com pessoal era quase 40% das despesas correntes, segundo o Tesouro Nacional.

Entre as 26 capitais, 19 tinham em 2025 nota de Capag que permite empréstimo com garantia da União, numa simulação do Tesouro; Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Natal e Teresina ficaram com nota C, e Campo Grande, Cuiabá e Natal entraram em 2025 no PEF.

Para o conjunto dos 5.567 municípios, o Tesouro faz só uma prévia da nota, e em 2024 1.005 deles ficaram sem nota por falta de dados ou por dados de baixa qualidade; quantas prefeituras estão em dificuldade no país inteiro: sem estimativa oficial.

Fontes:

O que dizem as projeções oficiais

Na proposta de diretrizes para 2027, enviada em abril de 2026 e ainda não votada pelo Congresso, o governo projeta a dívida bruta em 86,0% do PIB em 2027, com pico de 87,8% em 2029 e queda lenta até 83,4% em 2036. Também propõe metas de superávit do governo central de 0,5% do PIB em 2027, 1,0% em 2028, 1,25% em 2029 e 1,5% em 2030.

A proposta de orçamento de 2027, enviada em 31 de agosto de 2026, prevê superávit de R$ 18,6 bilhões (0,1% do PIB), ou R$ 83,4 bilhões depois dos descontos que a lei permite, acima da meta proposta de R$ 73,2 bilhões. A IFI do Senado projeta outro quadro: déficit de R$ 86,1 bilhões do governo central em 2027 e dívida bruta de 82,5% do PIB em 2026, 86,4% em 2027, 95,7% em 2030 e 115,0% em 2036.

Para a IFI, manter a dívida no nível de dezembro de 2025 (78,6% do PIB) exigiria superávit primário de 2,1% do PIB por ano, com juro real (acima da inflação) de 5% e crescimento de 2,3% ao ano, ou de 2,9% se o juro real de longo prazo for de 6,1% ao ano. Contando a incerteza sobre os juros, a IFI calcula em 81,6% a chance de a dívida passar de 90% do PIB até 2030.

Fontes:

O que a meta fiscal não mostra

A IFI do Senado mostra que uma parte da ação do governo federal fica fora da conta da meta. Os empréstimos pagos com dinheiro do orçamento, registrados como despesa financeira, passaram de R$ 71,7 bilhões em 2023 para R$ 220,3 bilhões em 2026, até 14 de outubro. Descontado o que voltou ao Tesouro, saíram R$ 147,7 bilhões em 2025, ou 1,2% do PIB, e R$ 180,5 bilhões em 2026 até 14 de outubro.

Esse dinheiro não entra no resultado primário, mas pode aumentar a dívida bruta: segundo a IFI, isso acontece quando a saída é paga com emissão de títulos ou quando o Banco Central recolhe esse dinheiro do mercado com operações compromissadas, em que vende títulos com a promessa de recomprá-los.

Fontes:

Como ler as propostas

Cada parte tem de 5 a 6 propostas, de quatro linhas de pensamento, e nenhuma linha tem mais de duas propostas numa parte. Cada proposta diz o que fazer e como se faz, quanto pode render por ano e com base em quê, quem ganha, quem perde, o principal risco e um exemplo real, no Brasil ou em outro país. Onde não há estimativa oficial do que a proposta rende, ela diz isso e mostra, com a fonte, o tamanho do gasto, da receita, do mercado ou do tempo em jogo.

As propostas são opções de linhas de pensamento diferentes, e algumas puxam em sentidos opostos. Por exemplo, na parte do Presidente, uma proposta para aumentar a receita admite rever reduções do imposto de importação; na parte do Brasil com outros países, outra propõe baixar esse imposto para máquinas, peças e insumos.

  • Cortar gastos
  • Aumentar a receita
  • Crescimento e produtividade
  • Eficiência do que já se gasta

O Presidente e o governo federal

Em Entenda o voto: o que decide o Presidente da República.

Rever sempre os cadastros de quem recebe benefícios federais

Cortar gastos

Ler a proposta
O que fazer

Tornar permanente a revisão dos benefícios que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) analisa e paga. Entram o BPC, pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, o auxílio por incapacidade temporária e o seguro-defeso, pago a pescadores artesanais no período em que a pesca é proibida.

A revisão cruza os cadastros com outras bases do governo, pede biometria e atualização do Cadastro Único e encerra o que não cumpre as regras, com direito de defesa. A Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8.742/1993, art. 21) já manda rever o BPC a cada dois anos. No seguro público das lavouras, o Conselho Monetário Nacional (CMN), presidido pelo Ministro da Fazenda, segue ajustando as regras de cobertura.

Como se faz: decretos, portarias dos ministérios e do INSS e resoluções do CMN. As regras dos benefícios já estão na lei, então não é preciso nova votação no Congresso.

Quanto pode render por ano

Alguns bilhões de reais por ano. Segundo o governo, as medidas de gestão do BPC economizaram R$ 4,4 bilhões em 2025 e levaram ao fim de 528.273 benefícios. O texto do governo não diz em que período esses benefícios foram encerrados. Para comparar, a IFI do Senado conta 339 mil BPC encerrados em 2025, por qualquer motivo.

Para 2027, o PLDO prevê economia de R$ 8,8 bilhões com revisões do BPC, segundo a IFI. No seguro das lavouras, a economia estimada é de R$ 15,1 bilhões de 2026 a 2029, cerca de R$ 3,8 bilhões por ano (divisão feita pelo Prumo). No seguro-defeso, a estimativa é de R$ 1,6 bilhão de 2026 a 2029.

Quanto uma revisão maior que a já planejada traria: sem estimativa oficial.

Quem ganha

Quem paga impostos, porque sobra dinheiro no orçamento. Também quem tem direito e espera na fila do INSS, se o mesmo esforço acelerar a análise dos pedidos.

Quem perde

Quem recebe sem cumprir as regras. Se a revisão errar, perdem também idosos e pessoas com deficiência de baixa renda que têm direito mas não conseguem atualizar o cadastro a tempo.

O principal risco

Cortar quem tem direito. Isso causa dano a famílias pobres e leva a ações na Justiça que trazem o gasto de volta: em agosto de 2026, 27,3% dos BPC de pessoas com deficiência tinham sido concedidos pela Justiça, segundo a IFI. A economia também pode não vir. A conta da proposta de orçamento de 2027 supõe cerca de 310 mil BPC encerrados por revisão no segundo semestre de 2026.

Mas o número de benefícios subiu de 6,3 milhões em fevereiro para 6,6 milhões em agosto de 2026, o maior já registrado, segundo a IFI.

Um exemplo real

Brasil, 2025: o Conselho Monetário Nacional mudou as regras do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), um seguro público para lavouras, pela Resolução CMN 5.224/2025. Para concentrar o programa na agricultura familiar, baixou de R$ 270 mil para R$ 200 mil por ano agrícola o limite para entrar. Segundo o governo, a economia foi de cerca de R$ 3,2 bilhões em 2025, em comparação com o que o Tesouro pôs no programa em 2023.

Fontes:

Segurar o crescimento da folha federal e criar carreiras novas para quem entrar

Cortar gastos

Ler a proposta
O que fazer

Na negociação com os sindicatos dos servidores federais, manter os reajustes dentro do limite que a lei já impõe. Enquanto houver déficit nas contas, até 2030, o gasto com pessoal de cada Poder não pode crescer mais que 0,6% ao ano acima da inflação, pela Lei Complementar 211/2024. Enviar ao Congresso uma lei de carreiras que vale só para quem entrar daqui em diante: salário de entrada mais baixo, mais degraus até o topo e promoção ligada à avaliação de desempenho.

Abrir concurso só para os cargos onde faltam servidores.

Como se faz: a negociação com os servidores, a autorização de concursos, que é ato do próprio Executivo, e um projeto de lei que só o Presidente pode apresentar. A Constituição (art. 61, § 1º, II, a) dá só a ele a iniciativa de criar cargos e aumentar salários no Executivo. A lei de carreiras depende de votação no Congresso.

Quanto pode render por ano

O gasto da União com pessoal e encargos, que soma todos os Poderes e inclui servidores ativos, aposentados e pensionistas, civis e militares, deve ser de R$ 445,4 bilhões em 2026. O Presidente decide sobre a parte do Executivo, cerca de 83% do total na proposta de orçamento de 2027. Segundo o governo, o limite da Lei Complementar 211/2024 deve economizar R$ 8,3 bilhões em 2027, em comparação com o ritmo médio de crescimento dos quatro anos anteriores.

Quanto a mudança de carreiras economizaria por ano: sem estimativa oficial. O efeito começa pequeno e cresce à medida que novos servidores entram no lugar dos que se aposentam.

Quem ganha

O orçamento, que ganha espaço para investimento e serviços, e quem paga impostos.

Quem perde

Os servidores federais, que teriam reajustes menores, e quem prestar concurso, que entraria com salário menor.

O principal risco

Perder profissionais para o setor privado, enfrentar greves e ter serviços mais lentos onde já falta gente, como na análise de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em áreas técnicas, um salário de entrada baixo pode afastar candidatos.

Um exemplo real

Brasil, 2020 e 2021: durante a pandemia, a Lei Complementar 173/2020 proibiu reajustes de servidores da União, dos estados e dos municípios até 31 de dezembro de 2021. Na votação no Senado, a Agência Senado citou uma economia estimada de cerca de R$ 130 bilhões até o fim de 2021, só para estados, Distrito Federal e municípios: R$ 69 bilhões para os estados e o Distrito Federal e R$ 61 bilhões para os municípios.

Fontes:

Cortar os benefícios fiscais que não mostram resultado

Aumentar a receita

Ler a proposta
O que fazer

A Lei Complementar 224/2025 já exige que um benefício fiscal novo, ampliado ou prorrogado tenha prazo de até cinco anos, metas que dá para medir e avaliação dos resultados. Como os benefícios passam de 2% do PIB, a mesma lei só deixa criar, ampliar ou prorrogar benefício com compensação de receita pelo prazo todo.

A proposta: terminar de regulamentar essa avaliação por decreto, publicar todo ano o resultado de cada benefício e não propor, e vetar, a renovação dos que não cumprirem as metas. Enviar ao Congresso um segundo corte, começando pelos maiores benefícios que nunca foram avaliados. Em alguns impostos a Constituição (art. 153, § 1º) deixa o Executivo mudar a alíquota por decreto, dentro dos limites da lei: o Imposto de Importação, o Imposto de Exportação, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Neles, o Presidente pode rever reduções de alíquota sem nova lei.

Como se faz: decreto para regulamentar a lei e mudar alíquotas desses impostos, o veto e um projeto de lei complementar para o segundo corte, que depende do Congresso.

Quanto pode render por ano

Na proposta de orçamento de 2026, o governo estimou que um corte de 10% nos benefícios traria cerca de R$ 19,8 bilhões a mais em 2026. Essa conta foi feita antes de o Congresso votar a lei, e o Prumo não encontrou estimativa oficial do texto aprovado nem dado oficial de quanto ele arrecadou de fato. Somados, os benefícios fiscais federais devem custar R$ 612,84 bilhões em 2026, 4,43% do PIB, segundo a Receita Federal, numa estimativa feita antes do corte.

A Emenda Constitucional 109/2021 pediu um plano para que eles caíssem a até 2% do PIB em até oito anos, com exceções como o Simples Nacional e a Zona Franca de Manaus. Quanto um segundo corte traria: sem estimativa oficial, porque depende de quais benefícios entram.

Quem ganha

O Tesouro e quem paga impostos. Ganham também as empresas sem benefício que competem com as que têm.

Quem perde

Setores e regiões que usam os benefícios, como parte da agricultura e da indústria, e os consumidores, se as empresas repassarem o imposto ao preço.

O principal risco

Empresas cortarem investimento e empregos ou mudarem de lugar, e disputas na Justiça. O Congresso também pode manter ou recriar benefícios por outras leis e derrubar um veto. A lei aprovada deixou fora do corte itens como o Simples Nacional, a Zona Franca de Manaus, a cesta básica e o Minha Casa, Minha Vida. E a reforma tributária muda o terreno a partir de 2027: o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) dão lugar à Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), e o IPI passa a ser cobrado só de forma residual, concentrado na Zona Franca de Manaus.

A proposta de orçamento de 2027 prevê R$ 5,5 bilhões de IPI no ano, segundo a IFI, ante R$ 100,4 bilhões previstos para 2026. Por isso, no IPI sobra pouco a rever por decreto.

Um exemplo real

Brasil, 2024 e 2025: o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado na pandemia, dava benefícios fiscais sem limite. A Lei 14.859/2024 pôs nele um teto de R$ 15 bilhões, e o programa acabou em abril de 2025, quando o teto foi atingido, segundo a Mensagem do PLOA de 2027.

Cobrar quem deve impostos com acordos caso a caso, sem novos parcelamentos especiais

Aumentar a receita

Ler a proposta
O que fazer

Ampliar a transação tributária, o acordo em que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal olham a situação de cada devedor e só dão desconto na parte da dívida que tem pouca chance de ser paga. Ampliar também o Programa de Transação Integral (PTI), criado por portaria do Ministério da Fazenda em 2024 para fechar acordos em grandes disputas que estão na Justiça.

Ao mesmo tempo, não propor e vetar novos parcelamentos especiais, conhecidos pelo nome do primeiro deles, o Programa de Recuperação Fiscal (Refis), que dão o mesmo desconto a todos.

Como se faz: portarias e editais do Ministério da Fazenda, da PGFN e da Receita, que a Lei 13.988/2020 já permite, e o veto do Presidente, que o Congresso pode derrubar.

Quanto pode render por ano

A PGFN recuperou R$ 66,1 bilhões da dívida ativa da União em 2025, 10% a mais que em 2024. Os acordos de transação trouxeram R$ 30,8 bilhões em 2025. Em 2017, a Receita Federal estimou que os parcelamentos especiais faziam o governo deixar de arrecadar R$ 18,6 bilhões por ano em impostos do dia a dia, porque empresas deixavam de pagar em dia à espera do próximo programa.

Quanto a mais esta proposta traria: sem estimativa oficial.

Quem ganha

O Tesouro e as empresas que pagam em dia, que deixam de competir com quem deixa de pagar à espera de desconto.

Quem perde

Devedores que contavam com descontos amplos e com a demora da Justiça.

O principal risco

A transação virar um Refis com outro nome, com descontos tão grandes e frequentes que ensinem a esperar pelo próximo acordo. Parte do dinheiro entra uma vez só, quando o acordo é fechado, e não se repete todo ano.

Um exemplo real

Brasil, 2017: a Receita Federal estudou os quase 40 parcelamentos especiais criados em 18 anos. Concluiu que cerca de metade de quem aderia voltava a atrasar e que esses programas não alcançavam o objetivo de reduzir a dívida dos contribuintes. Desde 2020 a Lei 13.988/2020 permite a transação, e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional registra cerca de 3,7 milhões de acordos por adesão de 2021 a 2025.

Fontes:

Manter um calendário firme de concessões de estradas, portos, aeroportos e ferrovias

Crescimento e produtividade

Ler a proposta
O que fazer

Leiloar a operação e as obras de rodovias, portos, aeroportos e ferrovias federais, com um calendário anunciado com antecedência. Os contratos ligam o pedágio ou a tarifa a metas de obra e de qualidade e punem o atraso. Em cada leilão, deixar claro o que se escolhe: pedágio menor para quem usa ou um valor maior pago ao governo, a outorga.

Como se faz: decreto que inclui o projeto no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado pela Lei 13.334/2016, mais o edital e o contrato de concessão. Não depende de nova lei.

Quanto pode render por ano

O ganho direto para as contas é pequeno: a receita federal com concessões e permissões prevista para 2026 é de R$ 5,8 bilhões. O efeito maior é o investimento privado que o governo não precisa pagar. Segundo a Casa Civil, os 90 projetos do PPI concluídos de 2023 a 2025 contrataram R$ 220,4 bilhões de investimentos, a serem feitos ao longo dos contratos.

Ganho fiscal por ano de um calendário maior: sem estimativa oficial.

Quem ganha

Quem usa as estradas e os portos, se o serviço ficar mais rápido e seguro, quem trabalha nas obras e quem exporta e paga frete.

Quem perde

Quem passa a pagar pedágio ou tarifa maior. O governo também perde o controle direto da operação.

O principal risco

Um contrato mal desenhado: a empresa vence com uma proposta que não consegue cumprir, a obra atrasa e o contrato precisa ser renegociado ou devolvido. A Lei 13.448/2017 criou regras para devolver essas concessões e licitá-las de novo.

Um exemplo real

Brasil, 2025: segundo a Casa Civil, os leilões apoiados pelo Programa de Parcerias de Investimentos somaram mais de R$ 49,9 bilhões de investimentos previstos até setembro, dos quais R$ 27,93 bilhões em quatro leilões de rodovias.

Fontes:

Mostrar e limitar o custo dos empréstimos subsidiados pagos com dinheiro público

Eficiência do que já se gasta

Ler a proposta
O que fazer

Antes de abrir ou ampliar uma linha de crédito paga com dinheiro do orçamento ou de fundos públicos, como as de habitação, compra de máquinas e renovação de frotas, calcular e publicar quanto ela custa ao Tesouro em valor de hoje. Esse custo é o subsídio: a diferença entre o juro que o governo paga para se financiar e o juro que cobra no empréstimo, somada às perdas com calote.

Hoje esse custo aparece nos votos do Conselho Monetário Nacional (CMN) que criam cada linha e, desde a proposta de orçamento de 2027, num anexo piloto para alguns fundos. Mas, segundo a IFI do Senado, falta o custo em valor de hoje de parte das linhas. A proposta: publicar esse custo para todas as linhas, pôr na lei de diretrizes ou na lei do orçamento um limite anual para a soma desses subsídios, avaliar cada linha depois e manter as que mostram resultado.

Como se faz: as propostas de orçamento e de diretrizes orçamentárias, que só o Executivo envia e o Congresso vota; os votos do CMN, presidido pelo Ministro da Fazenda, que aprovam as linhas; e decreto sobre a gestão dos fundos.

Quanto pode render por ano

A IFI calcula que os empréstimos pagos com dinheiro do orçamento tiveram saída líquida de R$ 147,7 bilhões em 2025 e de R$ 180,5 bilhões em 2026, até 14 de outubro. Esse dinheiro não entra na conta da meta fiscal, mas pode aumentar a dívida. A IFI estima que o subsídio dos empréstimos feitos em 2026 fica entre R$ 10,2 bilhões e R$ 15,9 bilhões, em valor de hoje.

Em 2025 ficou entre R$ 4,1 bilhões e R$ 6,4 bilhões. Essa é a ordem de grandeza do custo por ano. Quanto um limite economizaria depende do limite escolhido: sem estimativa oficial.

Quem ganha

O Tesouro e quem paga impostos, com dívida menor e o custo à vista de todos. Ganham também os programas que mostram resultado, que ficam mais fáceis de defender.

Quem perde

Famílias e empresas que tomam crédito com juro abaixo do mercado, como compradores de imóveis em programas habitacionais, indústrias que compram máquinas e empresas de ônibus e caminhões, e os setores que vendem para elas.

O principal risco

Menos investimento e emprego na construção e na indústria: o Ministério do Planejamento e Orçamento estima que cada R$ 1 bilhão de crédito para habitação pode mobilizar até 31 mil postos de trabalho. Um limite rígido também pode cortar linhas que dão resultado junto com as que não dão.

Um exemplo real

Estados Unidos, desde 1990: uma lei de 1990, a Federal Credit Reform Act, obriga o orçamento a registrar, no ano em que o empréstimo sai, o custo estimado de toda a vida do empréstimo em valor de hoje. A informação é do órgão de auditoria do Congresso americano, o Government Accountability Office (GAO). No Brasil, depois de uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), o Acórdão 1372/2026, a proposta de orçamento de 2027 trouxe pela primeira vez, como piloto, um anexo com o subsídio de alguns fundos.

Fontes:

Ideias que ficaram de fora

  • Desvincular do salário mínimo os benefícios da Previdência e da assistência. A parte já tem as duas propostas de cortar gastos que uma parte pode ter. A mudança exige emenda à Constituição, que o Presidente pode propor e o Congresso vota; ela está também entre as ideias que ficaram de fora da parte do Congresso.
  • Trocar títulos da dívida ligados à Selic por títulos prefixados ou ligados à inflação. É uma escolha técnica da gestão da dívida, feita pelo Tesouro Nacional, e o que ela pouparia depende de como os juros vão andar: não há estimativa oficial.
  • Limitar os salários acima do teto do serviço público. A maior parte está fora do poder do Presidente, e não há estimativa oficial.

O Congresso Nacional

Em Entenda o voto: o que decidem o Senado Federal e a Câmara dos Deputados.

Reduzir as emendas parlamentares obrigatórias e dar regras a elas

Cortar gastos

Ler a proposta
O que fazer

Emendas parlamentares são a parte do orçamento federal que deputados e senadores indicam, em geral para obras e serviços nos seus estados. Desde a Emenda Constitucional 86, de 2015, as emendas individuais são de execução obrigatória, e hoje as de bancada estadual também são. A Lei Complementar 210, de 2024, já regula o cálculo e o crescimento dessas reservas.

Com uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o Congresso pode baixar o valor obrigatório, determinar que a diferença não seja gasta em outra despesa e exigir que cada emenda publique objetivo, prazo e resultado.

Como se faz: emenda à Constituição (três quintos dos votos, em dois turnos, na Câmara e no Senado) e o voto do orçamento de cada ano.

Quanto pode render por ano

O PLOA de 2027 reserva R$ 44,8 bilhões para emendas obrigatórias, 9,7% a mais que os R$ 40,8 bilhões da proposta de 2026: R$ 28,5 bilhões de emendas individuais (cerca de R$ 22,1 bilhões de deputados e R$ 6,4 bilhões de senadores) e R$ 16,3 bilhões de emendas de bancada estadual. Desse total, R$ 22,4 bilhões contam para o piso da saúde: R$ 14,2 bilhões, a metade das individuais que a Constituição manda para a saúde, e R$ 8,1 bilhões das de bancada, que o projeto da LDO permite contar.

O resto, cerca de R$ 22,4 bilhões (conta do Prumo: 44,8 menos 22,4), é o que um corte pode poupar de fato, se o espaço não for usado em outra despesa. As emendas que não são obrigatórias, como as de comissão, têm limite de R$ 12,7 bilhões e não têm reserva no projeto: saem de cortes em outras despesas, por isso mexer nelas muda o destino do dinheiro, não o total.

Quem ganha

As contas públicas, se a parte cortada não for gasta em outra coisa; os programas nacionais dos ministérios, que disputam com as emendas o mesmo espaço dentro do limite de gastos.

Quem perde

Deputados e senadores, que perdem parte do dinheiro que indicam; prefeituras, hospitais e entidades que recebem emendas, sobretudo em cidades pequenas, que contam com esse dinheiro para obras e para a saúde.

O principal risco

Metade das emendas individuais vai obrigatoriamente para a saúde e conta para o piso da área. No projeto de 2027, a verba da saúde está exatamente no piso, R$ 272,2 bilhões, segundo a IFI do Senado. Cortar essa parte não poupa nada se o piso não mudar, porque o governo teria de gastar o mesmo valor na saúde por outro caminho.

A mudança também pode deixar com o governo federal mais poder de decidir onde gastar, e depende do voto dos próprios deputados e senadores, que hoje indicam esse dinheiro.

Um exemplo real

Nos Estados Unidos, a Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes limitou as emendas para projetos locais (Community Project Funding) a meio por cento do gasto que o Congresso decide a cada ano. Cada parlamentar pode fazer até 15 pedidos, o dinheiro não pode ir para empresas com fins lucrativos e todos os pedidos ficam publicados na internet.

O parlamentar também declara em público que ele e a família não têm interesse financeiro no projeto.

Fontes:

Fazer os pisos de saúde e educação crescerem no ritmo do limite de gastos

Cortar gastos

Ler a proposta
O que fazer

A Constituição manda a União aplicar pelo menos 15% da RCL em saúde e 18% da Receita Líquida de Impostos em educação. Quando a arrecadação sobe, o mínimo sobe junto, mesmo que o limite total de gastos do arcabouço fiscal (Lei Complementar 200, de 2023) cresça menos, e sobra menos para o resto do orçamento.

Com uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o Congresso pode fazer esses pisos, e as despesas ligadas à receita por lei, crescerem pela mesma regra do limite de gastos. A Lei Complementar 235, de 27 de agosto de 2026, criou um freio menor e temporário. Enquanto houver déficit, ela limita ao ritmo do limite de gastos as despesas ligadas à receita por lei (não as da Constituição).

Também tira a receita da venda de petróleo e gás da base das despesas calculadas sobre a RCL, o que reduziu a conta do piso da saúde de 2027. A proposta tornaria a regra permanente e a levaria aos pisos da Constituição.

Como se faz: emenda à Constituição e lei complementar.

Quanto pode render por ano

Com a Lei Complementar 235, o governo federal projeta R$ 8,9 bilhões a menos em despesas em 2027: R$ 1,9 bilhão por segurar as despesas ligadas à receita por lei e R$ 7,0 bilhões por tirar a receita do petróleo e do gás da base das despesas calculadas sobre a Receita Corrente Líquida. Para 2027, os pisos são de R$ 272,2 bilhões na saúde e R$ 138,8 bilhões na educação.

Como o total de gastos continua preso ao limite do arcabouço, esse valor abre espaço para outras despesas dentro do limite e não reduz o déficit por si só. A IFI do Senado fez essa observação ao analisar o projeto que deu origem à lei. Uma regra permanente na Constituição: sem estimativa oficial.

Quem ganha

O restante do orçamento, como investimentos e custeio dos ministérios, que fica menos apertado quando a arrecadação cresce; o próprio limite de gastos, que fica mais fácil de cumprir porque o gasto obrigatório cresce menos. O déficit só cai se o espaço aberto não for usado em outras despesas.

Quem perde

Saúde e educação, que deixam de ganhar de forma automática uma parte do aumento da arrecadação; quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) e da escola pública, se o governo gastar só o mínimo.

O principal risco

Com a população envelhecendo, a procura por saúde tende a crescer mais que a inflação. Um piso que cresce menos pode virar menos atendimento se o governo não gastar acima dele, e a mudança exige três quintos dos votos nas duas Casas.

Um exemplo real

No Brasil, a partir de 2018, a Emenda Constitucional 95, de 2016, desligou os pisos de saúde e educação da arrecadação e passou a corrigi-los pela inflação; a regra valeu até a Lei Complementar 200, de agosto de 2023. Em 2026, a Lei Complementar 235 voltou a frear parte dessas despesas, mas só até a União voltar a ter superávit.

Fontes:

Criar um teto para a dedução de despesas médicas no Imposto de Renda

Aumentar a receita

Ler a proposta
O que fazer

Quem declara o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) no modelo completo pode descontar da renda tudo o que pagou a médicos, dentistas, psicólogos, hospitais e planos de saúde, sem limite de valor. A dedução com educação já tem teto. Com uma lei que mude o artigo 8º da Lei 9.250, de 1995, o Congresso pode criar um teto anual por pessoa para a dedução médica e, se quiser, manter sem teto os casos de doença grave e de deficiência.

Como se faz: lei.

Quanto pode render por ano

A Receita Federal estima que a dedução de despesas médicas custa R$ 39,6 bilhões em 2027, 0,27% do PIB, segundo o anexo de renúncias de receita da proposta de LDO de 2027. Quanto um teto renderia depende do valor escolhido: sem estimativa oficial.

Quem ganha

A União e também estados e municípios, que recebem parte do Imposto de Renda pelos fundos de participação; o Sistema Único de Saúde (SUS), se a receita for para ele.

Quem perde

Quem declara no modelo completo e tem gastos altos com saúde privada. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com dados da Receita Federal de 2016, o 1% de contribuintes de maior renda ficava com 18% desse benefício.

O principal risco

Famílias com doença crônica ou deficiência podem pagar mais imposto se a lei não fizer exceção; parte das pessoas pode largar o plano de saúde e procurar o SUS, que já tem fila.

Um exemplo real

Nos Estados Unidos, só se deduz a parte dos gastos médicos que passa de 7,5% da renda bruta ajustada do ano, segundo a Receita Federal americana (Internal Revenue Service). No Brasil, a dedução com educação tem teto de R$ 3.561,50 por pessoa por ano, segundo a Receita Federal.

Fontes:

Cobrar Imposto de Renda nos novos títulos isentos do setor imobiliário e do agronegócio

Aumentar a receita

Ler a proposta
O que fazer

Nas Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), e nos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e nos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), a pessoa física não paga Imposto de Renda sobre o rendimento (Lei 11.033, de 2004, art. 3º, e Lei 13.097, de 2015, art. 90). Outras aplicações de renda fixa, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), pagam.

A Receita Federal registra esse benefício sem prazo para acabar. Com uma lei, o Congresso pode cobrar Imposto de Renda nos títulos emitidos daqui em diante, com alíquota menor no começo, e manter a isenção dos que já foram comprados.

Como se faz: lei.

Quanto pode render por ano

A Receita Federal estima que essa isenção custa R$ 11,4 bilhões em 2027, 0,08% do PIB, no anexo de renúncias de receita da proposta de LDO de 2027. Como a cobrança valeria só para títulos novos, a receita cresceria aos poucos; quanto renderia em cada ano: sem estimativa oficial.

Quem ganha

A União, estados e municípios (parte do Imposto de Renda é repartida com eles); quem investe em aplicações que já pagam imposto, que passa a disputar em condições iguais.

Quem perde

Quem aplica nesses títulos; bancos, construtoras e empresas do agronegócio, que hoje captam dinheiro mais barato com a isenção.

O principal risco

O crédito para a casa própria e para o campo pode ficar mais caro; o dinheiro pode migrar para outras aplicações isentas, como a poupança, e a receita ficar abaixo do esperado.

Um exemplo real

No Brasil, a Medida Provisória 1.303, de junho de 2025, propôs cobrar 5% de Imposto de Renda nas novas emissões de letras e certificados do setor imobiliário e do agronegócio (LCI, LCA, CRI e CRA) e de debêntures incentivadas. Em 7 de outubro de 2025, o relatório aprovado na comissão mista do Congresso tirou essa cobrança e manteve LCI e LCA isentas.

No dia seguinte, a Câmara tirou a medida da pauta por 251 votos a 193, e ela perdeu a validade sem ser votada.

Fontes:

Não abrir novas exceções no novo imposto sobre o consumo

Crescimento e produtividade

Ler a proposta
O que fazer

A reforma tributária (Emenda Constitucional 132, de 2023) troca vários tributos sobre o consumo, como o imposto estadual sobre mercadorias e o municipal sobre serviços, pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS). A reforma foi feita para manter a arrecadação total; por isso, cada produto ou setor com alíquota reduzida faz subir a alíquota de todos os outros.

O Congresso pode recusar novas exceções nas leis da reforma e usar a avaliação de custo e benefício a cada cinco anos, prevista na própria Emenda 132 (art. 9º, § 10), para levar à alíquota padrão os regimes que não mostrarem resultado. A Lei Complementar 214, de 2025 (art. 475), já marca a primeira avaliação com dados de 2030 e manda o governo enviar ao Congresso um projeto para cortar exceções se a soma das alíquotas de referência estimada para 2033 passar de 26,5%.

Como se faz: lei complementar.

Quanto pode render por ano

A arrecadação total não muda; muda quem paga. Na estimativa do Ministério da Fazenda de julho de 2024, a alíquota padrão somada do IBS e da CBS seria de 21,51% sem as alíquotas reduzidas e outros tratamentos favorecidos (já contando o Simples, a Zona Franca de Manaus e os regimes específicos).

Com eles e com a devolução de imposto às famílias de baixa renda, seria de 26,47%: 4,96 pontos a mais para quem paga a alíquota padrão. Depois, as mudanças feitas pela Câmara no projeto de regulamentação (Projeto de Lei Complementar 68/2024), como pôr carnes e queijos na cesta básica com alíquota zero, somaram mais 1,47 ponto, segundo nota do Ministério de agosto de 2024.

Uma página do Ministério cita estudo de 2021 (Domingues e Cardoso), anterior à reforma aprovada, que estima crescimento extra da economia de 12% a 20% em 15 anos. Quanto desse ganho vem de evitar exceções, por ano: sem estimativa oficial.

Quem ganha

Quem compra produtos e serviços com alíquota padrão, e as empresas sem regime especial, que pagariam uma alíquota menor; a economia como um todo, se o ganho de crescimento estimado se confirmar.

Quem perde

Setores que pedem alíquota reduzida ou regime especial, e os consumidores de produtos que perderiam a redução numa revisão.

O principal risco

Se uma revisão levar alimentos, remédios ou serviços de saúde e educação à alíquota padrão, esses preços sobem, e o peso é maior para os mais pobres, em parte compensado pela devolução de imposto. Cada setor que perde a redução tende a reagir, e a regra só funciona se for mantida por muitos anos.

Um exemplo real

A Nova Zelândia cobra seu imposto sobre bens e serviços (Goods and Services Tax, na sigla em inglês) desde 1986, hoje com alíquota padrão de 15%, abaixo da média de 19,3% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Com quase tudo na mesma alíquota, o índice de arrecadação da OCDE (Value Added Tax Revenue Ratio), em que 1 seria uma alíquota única sobre todo o consumo sem sonegação, foi de 0,96 no país em 2022, contra 0,58 na média da OCDE.

Terminar obras paradas antes de começar obras novas

Eficiência do que já se gasta

Ler a proposta
O que fazer

A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101, de 2000, art. 45) já diz que o orçamento só deve incluir projetos novos depois de atender os que estão em andamento, nos termos da LDO. Também manda o governo enviar ao Congresso, junto com o projeto da LDO, um relatório sobre isso.

O Congresso pode dar força a essa regra ao votar a LDO, cujo projeto é do governo mas pode ser mudado pelo Congresso. A LDO pode impedir obra nova num município, na mesma área, enquanto houver obra federal parada sem plano de retomada ou de encerramento. Pode também aplicar a regra às emendas parlamentares e exigir que o relatório traga a lista das obras paradas.

A LDO de 2027 ainda não estava aprovada em 31 de outubro de 2026, e há proposta nesse sentido no Senado, o Projeto de Lei Complementar 184, de 2026, que aguardava despacho.

Como se faz: lei de diretrizes orçamentárias, lei complementar e o voto do orçamento.

Quanto pode render por ano

O Tribunal de Contas da União (TCU) contou 11.944 obras federais paradas em 2024 (dados de abril), 52% do total; elas já tinham consumido R$ 9,0 bilhões e precisavam de mais R$ 29,4 bilhões para ficar prontas. Em abril de 2025 eram 11.469 de 22.621 obras (50,7%), 70% delas em educação e saúde. Quanto se economiza por ano: sem estimativa oficial; o ganho é não perder o que já foi gasto e entregar a escola ou o posto de saúde.

Quem ganha

Moradores que esperam escolas, creches e postos de saúde; o dinheiro já gasto, que deixa de se perder em obra parada.

Quem perde

Quem quer anunciar obra nova, inclusive por emenda parlamentar; empresas que contam com novos contratos.

O principal risco

Algumas obras paradas não fazem mais sentido, porque a cidade mudou ou o projeto ficou velho, e terminá-las pode custar mais que começar de novo. A regra precisa permitir encerrar a obra com justificativa pública, senão trava investimentos necessários.

Um exemplo real

Em 2023, a Lei 14.719 criou o Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação Básica. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), das 5.642 obras de escolas, creches e quadras listadas em novembro de 2023 como passíveis de retomada, restavam 2.701 inacabadas ou paradas no levantamento citado pelo órgão, uma queda de 51%.

No mesmo balanço, 206 obras estavam concluídas, 1.295 tinham a retomada aprovada e 2.370 estavam em fase de cancelamento, quando o estado ou o município desiste da obra.

Ideias que ficaram de fora

  • Regulamentar o teto salarial do serviço público (Projeto de Lei 2.721/2021, no Senado). A única estimativa oficial é de 2021 e não vale para o texto atual.
  • Aprovar os acordos de comércio que o Mercosul ainda negocia, como os com Canadá e Emirados Árabes Unidos. A proposta de fechar esses acordos está na parte do Brasil com outros países.
  • Senado fixar um limite para a dívida consolidada da União (Constituição, art. 52, VI). É regra fiscal, depende de proposta do Presidente e não tem estimativa oficial.
  • Autorizar venda ou concessão de estatais com prejuízo. Não há estimativa oficial do que pouparia por ano, e a parte já tem as duas propostas de cortar gastos que uma parte pode ter.
  • Desvincular do salário mínimo os benefícios da Previdência e da assistência. A parte já tem as duas propostas de cortar gastos que uma parte pode ter: as emendas parlamentares e os pisos de saúde e educação.

Os governadores

Em Entenda o voto: o que decide o governador.

Atualizar a previdência dos servidores do estado

Cortar gastos

Ler a proposta
O que fazer

Levar para a aposentadoria e a pensão dos servidores do estado regras iguais ou próximas às dos servidores federais. Desde a Emenda Constitucional 103, de 2019, os servidores federais se aposentam com idade mínima de 65 anos (homens) e 62 anos (mulheres). Isso vale nos estados que ainda não mudaram as regras ou que aprovaram regras mais brandas.

Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicado em dezembro de 2024, Amazonas, Roraima, Amapá, Maranhão, Pernambuco e o Distrito Federal não tinham feito nenhuma reforma importante nas regras de aposentadoria e pensão. Outros onze estados tinham aprovado regras mais brandas que as federais.

Como se faz: emenda à Constituição do estado e lei complementar estadual, propostas pelo governador e votadas pela Assembleia Legislativa.

Quanto pode render por ano

Em 2024, os tesouros dos estados puseram R$ 154,8 bilhões para cobrir a falta de dinheiro da previdência dos servidores de todos os Poderes, 6,3% a mais que em 2023 (R$ 145,6 bilhões), segundo o Tesouro Nacional. Quanto a reforma pouparia por ano no conjunto dos estados: sem estimativa oficial.

Quem ganha

Quem usa a saúde, a educação e a segurança do estado, porque o dinheiro que hoje cobre a falta da previdência pode ir para esses serviços. Também quem vai pagar impostos nas próximas décadas.

Quem perde

Os servidores na ativa, que trabalham mais anos ou recebem aposentadoria e pensão menores. Também os aposentados e pensionistas, se a contribuição deles aumentar.

O principal risco

A economia chega devagar, porque quem já se aposentou mantém as regras antigas, e regras de transição muito suaves podem anular o ganho. Pode haver greves e ações na Justiça. Nos estados que já fizeram a reforma completa, sobra pouco a mudar. A situação de cada estado é a do estudo de dezembro de 2024 e pode ter mudado depois.

Um exemplo real

Segundo o Ipea, até dezembro de 2024 dez estados (Pará, Piauí, Alagoas, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás) tinham adotado regras iguais ou muito próximas às dos servidores federais. Cada um fez isso por votação na sua Assembleia.

Fontes:

Rever os descontos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dados a empresas

Aumentar a receita

Ler a proposta
O que fazer

Rever, um por um, os benefícios do ICMS que o estado dá a empresas e setores. Cortar uma parte de todos de uma vez (por exemplo, 10%), dar a cada um prazo para acabar, meta e avaliação dos resultados, e publicar quanto cada setor deixa de pagar.

Como se faz: lei estadual votada pela Assembleia Legislativa, e decreto do governador para os benefícios criados por decreto. Um benefício novo depende de acordo entre os estados no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

Quanto pode render por ano

Os estados informaram ao Tesouro Nacional R$ 258,9 bilhões de ICMS que deixaram de cobrar em 2024 por causa de benefícios. Pela conta do Tesouro, isso é 25% da soma do ICMS cobrado com o que deixou de ser cobrado. A projeção dos próprios estados é de R$ 283,1 bilhões em 2026. Cortar 10% daria cerca de R$ 26 bilhões por ano com o valor de 2024, ou R$ 28 bilhões com a projeção de 2026 (conta do Prumo com os números do Tesouro, antes de qualquer reação das empresas).

Segundo o Tesouro, o Paraná não respondeu a essa pesquisa e ficou fora da taxa de renúncia e da projeção, e o Maranhão mandou dados incompletos sobre o prazo dos benefícios e ficou fora da projeção.

Quem ganha

O tesouro do estado e as prefeituras, que recebem por regra da Constituição uma parte do ICMS. Também as empresas sem benefício, que hoje competem com quem paga menos imposto.

Quem perde

As empresas e os setores com benefício. Segundo o Tesouro, a indústria de transformação é o setor que mais recebe, seguida pelo comércio. Os consumidores perdem se o corte atingir produtos como os de comida.

O principal risco

Empresas podem levar a produção para um estado que mantenha o benefício. Um benefício dado por prazo certo e em troca de contrapartidas tem proteção na lei, e o corte pode parar na Justiça. E como a reforma tributária vai extinguir o ICMS, o ganho só vale até lá.

Um exemplo real

No governo federal, a Lei Complementar 224, de 2025, mandou fazer um corte linear de 10% num amplo conjunto de benefícios tributários. Ela também passou a pedir, em toda proposta de lei que cria, amplia ou prorroga um benefício, prazo de até cinco anos, metas e avaliação dos resultados, segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento.

Fontes:

Cobrar a dívida ativa com acordos caso a caso

Aumentar a receita

Ler a proposta
O que fazer

Cobrar o imposto que já está na dívida ativa (o que o devedor deve, não pagou e o estado já registrou para cobrar) com acordos feitos caso a caso, a chamada transação tributária. O desconto maior fica só para a dívida difícil de receber, conforme o que cada devedor consegue pagar. Isso substitui os programas de desconto abertos de tempos em tempos e iguais para todos, os chamados Refis.

Como se faz: lei estadual de transação votada pela Assembleia Legislativa. Os acordos são negociados pela Procuradoria-Geral do Estado.

Quanto pode render por ano

No conjunto dos estados: sem estimativa oficial. Como ordem de grandeza, no governo federal, que cobra assim desde 2020, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) recuperou R$ 66,1 bilhões da dívida ativa da União em 2025. Os acordos de transação trouxeram R$ 30,8 bilhões no mesmo ano, segundo a PGFN.

Quem ganha

O tesouro do estado e as prefeituras, que recebem uma parte do que o estado arrecada. Também as empresas que pagam em dia, que deixam de competir com quem não paga.

Quem perde

Os devedores que contavam com a demora da Justiça ou com um novo programa de desconto.

O principal risco

Se o acordo virar desconto fácil e repetido, quem deve aprende a esperar o próximo. Num estudo de 2017, a Receita Federal estimou que o governo federal deixava de arrecadar cerca de R$ 18,6 bilhões por ano de impostos do dia a dia por causa dos parcelamentos especiais. As empresas deixavam de pagar em dia à espera de um novo programa.

A própria Receita diz que o estudo não é uma projeção estatística precisa.

Um exemplo real

No governo federal, o Programa de Transação Integral, criado por portaria do Ministério da Fazenda em 2024, fecha acordos em grandes disputas tributárias que estão na Justiça. Em 2025, ele ajudou a recuperar R$ 1,7 bilhão e regularizou R$ 2,2 bilhões inscritos na dívida ativa da União, segundo a PGFN.

Fontes:

Concessões e parcerias com empresas para obras e serviços

Crescimento e produtividade

Ler a proposta
O que fazer

Passar a empresas privadas, por leilão e contrato de longo prazo, a construção e a operação de estradas estaduais, de água e esgoto e de outros serviços, em concessões ou parcerias público-privadas (PPPs). O contrato traz metas de investimento e de qualidade, e uma agência do estado fiscaliza.

Como se faz: lei estadual que autoriza a concessão ou a parceria público-privada (PPP), votada pela Assembleia Legislativa (em água e esgoto, a lei federal dispensa essa autorização), e contrato assinado pelo governo depois do leilão. Em água e esgoto, o estado age junto com as prefeituras.

Quanto pode render por ano

No conjunto dos estados, por ano: sem estimativa oficial. O valor que o vencedor do leilão paga (a outorga) entra uma vez só. O ganho que se repete é o investimento feito pela empresa, que o estado não precisa pagar com dinheiro próprio nem com dívida. Como ordem de grandeza, no leilão dos serviços de água e esgoto da Cedae, no Rio de Janeiro, em 2021, a outorga foi de R$ 22,7 bilhões, e o projeto prevê R$ 12 bilhões de investimento nos cinco primeiros anos, cerca de R$ 2,4 bilhões por ano (conta do Prumo), segundo a Casa Civil.

Quem ganha

Quem não tem água tratada ou esgoto, ou usa a estrada. Também as empresas e os trabalhadores da construção, e o tesouro (em água e esgoto, também as prefeituras que entram no contrato), que recebe a outorga e deixa de bancar a obra.

Quem perde

A empresa estatal e seus empregados, que perdem o serviço. O usuário perde se a tarifa ou o pedágio subir.

O principal risco

Com contrato mal feito ou fiscalização fraca, a tarifa sobe, a obra atrasa e a disputa vai parar na Justiça. Um bloco pode ficar sem comprador. Outro risco é gastar a outorga, que entra uma vez, em despesas que se repetem todo ano.

Um exemplo real

Em abril de 2021, o Rio de Janeiro leiloou três dos quatro blocos dos serviços de água e esgoto atendidos pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), num projeto estruturado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo a Casa Civil, a outorga foi de R$ 22,7 bilhões. O projeto inteiro prevê mais de R$ 27 bilhões de investimento em 35 anos, R$ 12 bilhões deles nos cinco primeiros anos (cerca de R$ 2,4 bilhões por ano, conta do Prumo), para atender cerca de 12 milhões de pessoas em 29 municípios.

O quarto bloco ficou sem vencedor naquele dia.

Contar a folha do mesmo jeito e conferir cada pagamento

Eficiência do que já se gasta

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O que fazer

Duas coisas. Primeiro, publicar o gasto com pessoal contado pelo método único do Tesouro Nacional, ao lado da conta oficial, e usar essa conta nas regras do próprio estado. Segundo, cruzar a folha de pagamento todo mês com outros cadastros para achar pagamentos sem base na lei, como acúmulos de benefícios que a lei proíbe.

Como se faz: decreto do governador, LDO votada pela Assembleia Legislativa e acordo com o Tribunal de Contas do Estado.

Quanto pode render por ano

Quanto a conferência da folha pouparia nos estados: sem estimativa oficial. Para dar o tamanho: em 2024, os estados pagaram R$ 620,4 bilhões em pessoal e encargos. O Tribunal de Contas de cada estado conta esse gasto de um jeito. Pela conta padronizada do Tesouro, dez estados passariam do limite de alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de 54% da RCL, que é a receita do dia a dia do estado.

São eles Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Paraíba, Rio Grande do Sul, Tocantins, Amapá, Roraima, Acre e Mato Grosso do Sul. Se tivessem segurado o gasto nesse limite, teriam economizado mais de R$ 30 bilhões só em 2024, segundo o Tesouro. O Tesouro observa que esse excesso pode não aparecer nos números oficiais do estado.

Quem ganha

O tesouro do estado. Também quem lê as contas, que passa a comparar estados pela mesma régua.

Quem perde

Quem recebe pagamento sem base na lei. E os estados que hoje parecem dentro do limite podem aparecer acima dele e ter de segurar gastos.

O principal risco

Mudar a conta pode pôr o estado, de uma hora para outra, acima dos limites da LRF, que travam aumentos e novas contratações. E a conferência da folha acha pouco perto do total: ajuda, mas não resolve sozinha o peso do gasto com pessoal.

Um exemplo real

Na folha do governo federal, o Tribunal de Contas da União (TCU) fiscaliza de forma contínua os pagamentos de 857 organizações federais. Em 2024, as correções deram economia de R$ 47,5 milhões por mês, cerca de R$ 570 milhões por ano (conta do Prumo), e ainda restavam 57,6 mil indícios de irregularidade sem explicação conclusiva, segundo o TCU.

Fontes:

Mesma regra de limite de gasto para todos os Poderes do estado

Cortar gastos

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O que fazer

Pôr na lei uma regra para o dinheiro que o tesouro do estado repassa ao Tribunal de Justiça, ao Ministério Público, à Defensoria Pública, ao Tribunal de Contas e à própria Assembleia. O repasse cresce no máximo como a inflação, ou pela mesma regra do resto do governo, com um limite separado para cada Poder.

Como se faz: LDO e lei complementar estadual votadas pela Assembleia Legislativa, e emenda à Constituição do estado se preciso. A Constituição já manda que esses órgãos façam seus orçamentos dentro dos limites da LDO.

Quanto pode render por ano

Em 2024, os tesouros estaduais repassaram R$ 131,2 bilhões aos outros Poderes, R$ 65,7 bilhões deles ao Judiciário. Na média dos estados (sem o Distrito Federal), isso foi 12,6% da RCL, a receita do dia a dia do estado, e o Tesouro Nacional observa que o volume passa do mínimo que a lei manda os estados aplicarem em saúde.

Cada ponto percentual a menos de crescimento acima da inflação nesses repasses vale cerca de R$ 1,3 bilhão no primeiro ano no conjunto dos estados, e o efeito se soma ano a ano (conta do Prumo com o número do Tesouro).

Quem ganha

A saúde, a educação, a segurança e as obras do governo do estado, que disputam o mesmo dinheiro.

Quem perde

O Tribunal de Justiça, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, a Defensoria e a própria Assembleia, e seus servidores, que ficam com menos espaço para aumentos e contratações.

O principal risco

A Constituição garante autonomia aos Poderes, e a regra pode ser contestada no Supremo Tribunal Federal. Um limite rígido pode apertar órgãos pequenos, como a Defensoria Pública, que atende quem não pode pagar advogado.

Um exemplo real

Para a União, a Emenda Constitucional 95, de 2016, criou um limite separado de gasto para cada Poder, corrigido pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Desde 2024, a Lei Complementar 200, de 2023, mantém um limite para cada Poder, que cresce pela inflação mais 70% do aumento real da receita (50% se a meta do ano anterior não foi cumprida), entre 0,6% e 2,5% ao ano acima da inflação.

Nos estados do Regime de Recuperação Fiscal, a Lei Complementar 159, de 2017, prevê um teto parecido. Em 2024, segundo o Tesouro, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul cumpriram esse teto, e o Rio de Janeiro passou dele. Também segundo o Tesouro, a Lei Complementar 212, de 2025 (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, Propag), limita o crescimento do gasto à inflação, com um possível acréscimo se a receita crescer, nos estados que tiveram alívio no pagamento da dívida.

Os prefeitos

Em Entenda o voto: o que decide o prefeito.

Cobrar o imposto predial pelo valor atual dos imóveis

Aumentar a receita

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O que fazer

O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é cobrado sobre um valor de cada imóvel que a prefeitura registra num mapa de preços, a planta genérica de valores, e em muitas cidades esse mapa ficou parado por anos. O prefeito manda à Câmara Municipal um projeto de lei com critérios claros para calcular esse valor e, depois de aprovado, passa a atualizá-lo por decreto a cada poucos anos, como a Constituição permite desde a Emenda Constitucional 132, de 2023.

Junto, a prefeitura refaz o cadastro dos imóveis com fotos aéreas e dados de cartório, para achar construções que não pagam, e cobra quem está atrasado. Para evitar saltos, a lei pode limitar a alta de cada ano e manter isentos os imóveis de menor valor.

Como se faz: lei municipal votada pela Câmara, por proposta do prefeito, e decreto do prefeito.

Quanto pode render por ano

Perto de R$ 25 bilhões por ano a mais para o conjunto das prefeituras, em valores de 2024. É uma conta do Prumo, não do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): supõe que o potencial calculado para 2014 ainda vale hoje, e não há estimativa oficial para 2024. O Ipea estimou, com dados de 2002 a 2014, que o IPTU poderia passar de 0,51% para 0,85% do PIB se cada cidade chegasse ao nível típico das 20% que cobram melhor entre cidades de porte parecido.

Em 2024, o IPTU rendeu R$ 75,4 bilhões nas 5.517 prefeituras que mandaram dados ao Tesouro Nacional para 2023 e 2024, cerca de 0,64% do PIB. Chegar a 0,85% do PIB daria cerca de R$ 24,7 bilhões a mais (contas do Prumo com o PIB de 2024 do Banco Central).

Quem ganha

As prefeituras, que passam a depender menos de repasses do estado e da União, e os donos de imóveis que já pagavam sobre um valor perto do real, porque imóveis parecidos passam a pagar parecido.

Quem perde

Donos de imóveis cujo valor no cadastro ficou muito abaixo do preço de mercado, em geral em bairros que se valorizaram, e donos de construções que não estavam no cadastro.

O principal risco

Contas que sobem muito de uma vez pesam no orçamento de famílias com imóvel valorizado e renda baixa, como aposentados, e levam a ações na Justiça; a atualização por decreto também pode ser derrubada se a lei municipal não trouxer critérios claros. E atualizar o mapa sozinho pode render pouco: no estudo do Ipea, a atualização da planta de valores andou junto com mais arrecadação nas cidades pequenas, mas teve efeito pouco claro nas médias e grandes, onde pesam também o cadastro e a cobrança.

Um exemplo real

No Chile, a lei do imposto territorial manda o Servicio de Impuestos Internos reavaliar os imóveis a cada 4 anos, agrícolas e não agrícolas, com a nova avaliação valendo ao mesmo tempo em todas as comunas. A Lei 20.650, de 2012, encurtou esse prazo de 5 para 4 anos. A mesma lei evita saltos: quando a conta de um imóvel sobe mais de 25%, o excesso entra aos poucos, até 10% por semestre.

Mesmo lá o calendário escorrega: em fevereiro de 2026, a Lei 21.806 adiou para 2027 a reavaliação dos imóveis não agrícolas, segundo o Servicio de Impuestos Internos (SII).

Fontes:

Cobrar os impostos atrasados primeiro fora da Justiça

Eficiência do que já se gasta

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O que fazer

A dívida ativa é o imposto ou a taxa atrasados que a prefeitura já registrou como devidos, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre Serviços (ISS). Desde dezembro de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) diz que, como regra, a prefeitura precisa tentar um acordo ou protestar a dívida em cartório antes de ir à Justiça.

Cada cidade também deve fixar em lei um valor mínimo para abrir processo, ligado ao custo de um processo. O prefeito manda à Câmara Municipal um projeto de lei que fixa esse valor mínimo, autoriza acordos de pagamento com regras iguais para todos e manda protestar em cartório a certidão da dívida antes de qualquer processo.

A procuradoria do município concentra os processos judiciais nas dívidas grandes, e as pequenas passam a ser cobradas por protesto, aviso e acordo.

Como se faz: lei municipal votada pela Câmara, por proposta do prefeito, e convênio da prefeitura com os cartórios de protesto.

Quanto pode render por ano

Sem estimativa oficial do quanto as prefeituras recuperariam. A medida oficial mais próxima é federal: numa nota técnica de 2011, com processos encerrados em 2009, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calculou que uma execução fiscal da União na Justiça Federal custava em média R$ 5.606,67 e durava 9 anos, 9 meses e 16 dias.

Só em 25,8% dos casos ela terminava com a dívida paga por inteiro. Para dar uma ideia do volume, números do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) citados pelo STF no julgamento de dezembro de 2023 apontavam 27,3 milhões de execuções fiscais pendentes, um terço de todos os processos do país. Elas duravam em média 6 anos e 7 meses.

Quem ganha

A prefeitura, que recebe mais cedo e gasta menos com processos que se arrastam; a Justiça, com menos processos parados; e quem paga em dia, que deixa de ver o devedor sem cobrança.

Quem perde

Os devedores, que passam a ter o nome protestado em cartório e mais dificuldade para conseguir crédito.

O principal risco

Acordos com desconto repetidos todo ano ensinam o contribuinte a esperar o próximo programa em vez de pagar em dia, e o protesto pode pesar sobre famílias de baixa renda que devem pouco.

Um exemplo real

A União seguiu esse caminho para as próprias dívidas: o Ipea propôs em 2011 subir de R$ 10 mil para R$ 20 mil o valor mínimo para a Fazenda Nacional ir à Justiça, junto com uma política de cobrança das dívidas menores. Em março de 2012 o Ministério da Fazenda deixou de abrir execução fiscal para dívidas de até R$ 20 mil (Portaria 75, de 2012).

O caso que levou o STF a decidir veio de Pomerode, Santa Catarina (SC), cuja lei mandava à Justiça dívidas acima de R$ 200: a cidade cobrava R$ 528,41 de ISS de uma empresa, e o juiz encerrou o processo porque ele custava mais que a dívida.

Fontes:

Reformar a previdência dos servidores da prefeitura

Cortar gastos

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O que fazer

Em 2.106 cidades, a aposentadoria dos servidores efetivos da prefeitura é paga por um regime próprio de previdência social (RPPS), um fundo da própria cidade, e não pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O prefeito propõe e a Câmara Municipal vota três mudanças, no modelo da reforma federal de 2019 (Emenda Constitucional 103).

Uma emenda à Lei Orgânica traz as idades mínimas para se aposentar. Uma lei complementar traz o tempo de contribuição e os outros requisitos. E uma lei traz as regras de cálculo das aposentadorias e pensões. É o que o Ministério da Previdência Social chama de reforma ampla. Onde ainda falta, a prefeitura também põe para funcionar a previdência complementar, que as regras federais tornaram obrigatória: quem entra no serviço depois dela tem a aposentadoria do fundo limitada ao teto do INSS.

Como se faz: emenda à Lei Orgânica, lei complementar e lei votadas pela Câmara, por proposta do prefeito.

Quanto pode render por ano

Sem estimativa oficial de economia para o conjunto das prefeituras. Em 2024, as 5.517 prefeituras com dados no Tesouro Nacional gastaram R$ 77,8 bilhões com servidores aposentados e R$ 10,5 bilhões com pensionistas. No levantamento de 2025 do Ministério da Previdência Social, só 872 das 2.106 prefeituras com regime próprio tinham feito a reforma ampla, 188 tinham feito uma reforma parcial e 1.046 não tinham mudado as regras de aposentadoria.

Na previdência complementar, 129 ainda não a tinham criado, e em 1.162 ela tinha sido criada por lei mas ainda não estava funcionando (contagens do Prumo na planilha do ministério, sem os estados).

Quem ganha

O caixa da prefeitura no longo prazo, que pode sobrar para saúde, educação e obras, e os servidores que vão depender do fundo no futuro, porque ele fica menos exposto a falta de dinheiro.

Quem perde

Os servidores da prefeitura, que vão trabalhar mais anos ou receber aposentadoria e pensão menores, sobretudo os mais jovens.

O principal risco

A economia chega devagar, ao longo de anos; greves e ações na Justiça podem atrasar a mudança, e servidores perto de se aposentar podem correr para sair antes das novas regras, o que aumenta o gasto no curto prazo.

Um exemplo real

Entre as 26 capitais, 12 já tinham feito a reforma ampla em 2025, entre elas Curitiba, Recife, Salvador e São Paulo, segundo o mesmo indicador do Ministério da Previdência Social.

Fontes:

Trocar a iluminação das ruas por diodo emissor de luz (LED) com pagamento por resultado

Eficiência do que já se gasta

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O que fazer

A iluminação das ruas é serviço da prefeitura, em geral paga pela contribuição de iluminação pública, que a cidade pode criar por lei (artigo 149-A da Constituição) e que costuma vir na conta de luz. A prefeitura contrata, por uma parceria público-privada (PPP), uma empresa que troca as lâmpadas antigas por LED (diodo emissor de luz), que gasta menos energia.

A empresa cuida da manutenção por muitos anos e só recebe o pagamento inteiro se cumprir metas de economia de energia e de pontos acesos. Cidades pequenas podem contratar juntas, por consórcio.

Como se faz: lei municipal que autoriza a PPP, licitação e contrato.

Quanto pode render por ano

Sem estimativa oficial para o país. Em Porto Alegre, o contrato de 20 anos troca mais de 100 mil pontos de luz e prevê investimento de cerca de R$ 279 milhões. A meta é cortar pelo menos 45,79% do consumo de energia da iluminação, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No leilão de 29 de agosto de 2019, o valor máximo a pagar por mês ficou em R$ 1,745 milhão, e a prefeitura calculou que pagaria mais de R$ 300 milhões a menos que os cerca de R$ 740 milhões previstos para todo o contrato.

Nos 20 anos do contrato, isso dá mais de R$ 15 milhões por ano (conta do Prumo: R$ 300 milhões divididos por 20).

Quem ganha

A prefeitura, que gasta menos com energia, e os moradores, com ruas mais iluminadas; as empresas do setor ganham contratos longos.

Quem perde

As equipes e as pequenas empresas que faziam a manutenção para a prefeitura; e a própria prefeitura perde margem para mudar o serviço durante o contrato.

O principal risco

Um contrato mal escrito prende a cidade por décadas a pagamentos mensais mesmo se a economia de energia não vier, e esse compromisso pesa no orçamento dos próximos governos.

Um exemplo real

Porto Alegre assinou em 17 de junho de 2020 uma parceria de 20 anos para a iluminação das ruas, modelada pelo BNDES, com troca de mais de 100 mil pontos por LED.

Fontes:

Abrir e regularizar negócios sem esperar a prefeitura

Crescimento e produtividade

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O que fazer

Pela lei federal, uma empresa de risco baixo ou médio já pode começar a funcionar depois de duas etapas: a consulta de viabilidade, em que a prefeitura diz se o negócio pode funcionar no endereço, e o registro na Junta Comercial. O prefeito publica um decreto com três regras. Primeiro, deixa de exigir alvará das atividades da lista nacional de baixo risco, a da Resolução 51, de 2019, do Comitê para Gestão da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (CGSIM), sem regras locais mais exigentes.

Segundo, faz a prefeitura responder de forma automática se a empresa pode funcionar no endereço, pela Redesim, que junta prefeitura, Junta Comercial e Receita Federal. Terceiro, fixa prazos máximos para alvarás de atividades de risco alto e licenças de obra, com aprovação automática se a prefeitura não responder a tempo.

A Lei da Liberdade Econômica (Lei 13.874, de 2019) prevê essa aprovação automática, mas ela só vale nas cidades que decidirem aderir.

Como se faz: decreto do prefeito e, onde a lei municipal exigir, lei votada pela Câmara.

Quanto pode render por ano

Sem estimativa oficial do efeito na arrecadação. No fim de 2024, abrir uma empresa levava em média 18 horas no país, segundo o Mapa de Empresas do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte: 9 horas na consulta de viabilidade, em que a prefeitura e a Junta Comercial confirmam o endereço e o nome, e 9 horas no registro.

Na parte da prefeitura, dizer se o negócio pode funcionar no endereço, cinco cidades respondiam em 1 minuto em média, e a mais lenta levava 9 dias e 11 horas. Entre as capitais, o tempo total ia de 1 hora em Aracaju a 1 dia e 5 horas em Macapá. Essas médias só contam os casos em que os órgãos estão ligados à Redesim, não incluem os microempreendedores individuais (MEI) e não medem o tempo dos alvarás de atividades de risco alto nem das licenças de obra.

Quem ganha

Quem quer abrir ou formalizar um negócio, os trabalhadores contratados mais cedo e, com o tempo, a arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) da cidade.

Quem perde

A prefeitura perde parte das taxas de licença e o poder de checar cada negócio antes de ele abrir.

O principal risco

Menos vistoria antes da abertura pode deixar passar riscos de incêndio, à saúde ou ao meio ambiente; se a fiscalização depois da abertura não funcionar, o problema só aparece depois de um acidente.

Um exemplo real

No fim de 2024, Aracaju era a capital mais rápida para abrir uma empresa, com 1 hora em média, e Sergipe o estado mais rápido, com 6 horas, segundo o Mapa de Empresas do governo federal.

Ideias que ficaram de fora

  • Câmaras Municipais que gastam abaixo do teto e devolvem a sobra. O poder não é do prefeito. Quem pede o orçamento da Câmara e devolve a sobra é a Mesa Diretora da Câmara Municipal, e pela separação de Poderes o prefeito não decide quanto a Câmara gasta.

O Brasil com outros países

Baixar aos poucos o imposto de importação de máquinas, peças e insumos

Crescimento e produtividade

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O que fazer

Reduzir em etapas, com um calendário anunciado com anos de antecedência, as alíquotas do imposto de importação, começando por máquinas, peças e insumos que fábricas e fazendas usam para produzir. Em 2025, a alíquota média do imposto de importação do Brasil era de 12,0% numa média simples de todos os itens da tabela, e de 9,2% quando se pesa pelo que o país de fato compra, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Como se faz: o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), órgão do governo federal, muda alíquotas por resolução. A Constituição (art. 153, § 1º) deixa o Poder Executivo alterar esse imposto dentro dos limites da lei. Mas o Gecex só pode agir dentro das listas de exceção que o Mercado Comum do Sul (Mercosul) permite a cada país. Para baixar a Tarifa Externa Comum (TEC), que vale para todo o Mercosul, o Brasil precisa decidir junto com os outros sócios do bloco.

Quanto pode render por ano

O ganho estimado para a economia é pequeno, e o custo para o caixa vem logo. Numa simulação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um corte de 20% nas tarifas médias do Brasil e da Argentina aumenta o salário real no Brasil em 0,04% e o volume de comércio em 0,06%. Um corte de 83%, que levaria a tarifa média ao nível da dos Estados Unidos, aumenta o salário real em 0,26% e o comércio em 0,27%.

A simulação compara só o antes e o depois, e o Ipea avisa que, acompanhando o efeito ao longo do tempo, os ganhos podem ser maiores. O imposto de importação rendeu R$ 90,8 bilhões em 2025, segundo a Receita Federal. Um corte de 20% em todas as alíquotas tiraria perto de R$ 18 bilhões por ano da arrecadação se as compras de fora ficassem iguais (conta do Prumo: 20% de R$ 90,8 bilhões), e menos se as importações crescessem.

Quanto imposto voltaria com mais atividade econômica: sem estimativa oficial.

Quem ganha

Empresas que compram máquinas, peças e insumos de fora, que passam a produzir mais barato; exportadores, que ficam mais competitivos; consumidores, que pagam menos por produtos importados ou feitos com peças importadas. No modelo do Ipea, o salário real sobe um pouco.

Quem perde

Indústrias hoje protegidas por tarifas altas, que passam a enfrentar concorrência de fora, e os trabalhadores desses setores; e o Tesouro Nacional, que arrecada menos enquanto a economia não reage. Estados e União também perdem um pouco de ICMS e de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na importação, que são calculados sobre o preço já com o imposto de importação; a conta de R$ 18 bilhões não inclui essa parte.

O principal risco

Fábricas que não aguentarem a concorrência podem fechar antes que outros setores cresçam e contratem. A perda de arrecadação aumenta o déficit num momento em que as contas públicas já fecham no vermelho: nos 12 meses até setembro de 2026, o setor público teve déficit primário de 0,52% do PIB, segundo o Banco Central.

Como a tarifa é comum ao Mercosul, um corte grande depende de acordo com os vizinhos.

Um exemplo real

Em novembro de 2021 e de novo em maio de 2022, o Gecex reduziu em 10%, de cada vez, o imposto de importação de cerca de 87% dos itens da tabela (uma alíquota de 10% caía para 9%, por exemplo), segundo o Ipea. Mais recentemente, em 5 de fevereiro de 2026, a Resolução Gecex 852 revisou o imposto de importação de mais de 1.000 códigos de mercadorias, sobretudo de bens de capital e de informática e telecomunicações com produção parecida no Brasil.

A Mensagem do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 a lista entre as medidas que ajudaram a aumentar a receita federal.

Fontes:

Fechar os acordos de comércio em negociação e aproveitar os que já valem

Crescimento e produtividade

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O que fazer

A parte comercial do acordo do Mercado Comum do Sul (Mercosul) com a União Europeia (UE) é aplicada de forma provisória desde 1º de maio de 2026. O acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) foi promulgado no Brasil em setembro de 2026. A proposta é concluir as negociações do Mercosul com Canadá e Emirados Árabes Unidos, avançar na negociação com o Japão e ajudar pequenas e médias empresas a usar as tarifas menores e as cotas que já existem.

Como se faz: o governo federal negocia, pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), junto com os sócios do Mercosul. Cada acordo só passa a valer no Brasil depois de aprovado pelo Congresso Nacional, por decreto legislativo, e promulgado por decreto do Presidente da República (Constituição, art. 49, I, e art. 84, VIII).

Quanto pode render por ano

Para Canadá, Emirados Árabes Unidos e Japão: sem estimativa oficial. Como ordem de grandeza, o governo federal estima que o acordo com a UE deixa o PIB de 2044 0,34% maior do que seria sem ele, cerca de R$ 37 bilhões em reais de 2023. Os preços ao consumidor ficariam 0,56% menores e os salários reais 0,42% maiores.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com outro modelo, estima que em 2040 o PIB fica 0,46% acima do que seria sem o acordo (US$ 9,3 bilhões a preços de 2023). O custo para o caixa: numa conta que supõe importações paradas, o MDIC calcula que o acordo com a UE tira do imposto de importação R$ 1,37 bilhão no primeiro ano, R$ 2,52 bilhões no segundo e R$ 3,67 bilhões no terceiro.

A arrecadação desse imposto sobre o que vem da UE é de R$ 17,28 bilhões por ano. A Receita Federal validou o cálculo.

Quem ganha

Exportadores do agronegócio, como carnes, açúcar, etanol, arroz, mel, frutas e suco de laranja, que ganham cotas e tarifas menores na Europa; consumidores, com importados mais baratos; empresas que compram máquinas e remédios de fora. Segundo o Ipea, quase todos os setores do agronegócio ganham.

Quem perde

Setores da indústria que passam a competir com produtos europeus sem tarifa, como veículos e peças, metais ferrosos, roupas e têxteis, farmacêuticos, máquinas e equipamentos e eletrônicos, segundo o Ipea. No mesmo estudo, porém, a produção da indústria como um todo fica um pouco maior. Perde também o caixa do imposto de importação.

O principal risco

Os ganhos são pequenos e chegam devagar: o Mercosul corta suas tarifas em prazos de até 15 anos, e para carros elétricos, a hidrogênio e de novas tecnologias em 18, 25 e 30 anos. Fábricas que perdem espaço podem fechar antes que os setores que ganham contratem. O acordo com a UE tem duas partes: a de comércio, aplicada de forma provisória, e o acordo de parceria completo, com a parte política e de cooperação, que ainda depende da aprovação do lado europeu.

Um exemplo real

Entre maio e setembro de 2026, os primeiros cinco meses do acordo com a UE, as vendas à Europa dos produtos brasileiros beneficiados pelo acordo cresceram 21% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o MDIC.

Fontes:

Manter e defender o imposto mínimo de 15% sobre o lucro das grandes multinacionais

Aumentar a receita

Ler a proposta
O que fazer

Desde o ano de 2025, grupos multinacionais com receita de 750 milhões de euros ou mais por ano pagam um adicional da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sempre que o imposto sobre o lucro que pagam no Brasil fica abaixo de 15% (Lei 15.079, de 2024). O primeiro pagamento venceu em julho de 2026. A regra segue o acordo global negociado na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e no G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo.

A proposta é manter a cobrança sem abrir exceções além das que a regra global já aceita. Também propõe usar as negociações na OCDE e na Organização das Nações Unidas (ONU), onde se negocia desde 2025 uma convenção sobre cooperação em impostos, para que o lucro feito no Brasil seja tributado aqui.

Como se faz: a lei já existe e só muda com voto do Congresso; os detalhes estão em norma da Receita Federal; a negociação lá fora cabe ao Ministério da Fazenda e à Receita Federal.

Quanto pode render por ano

R$ 3,44 bilhões em 2026, R$ 7,28 bilhões em 2027 e R$ 7,69 bilhões em 2028, segundo a estimativa do governo na exposição de motivos da medida provisória que criou o adicional, resumida pela Consultoria Legislativa do Senado. Essa estimativa é de 2024, antes da norma de setembro de 2026 que deixa parte dos incentivos fiscais contar como imposto pago; quanto essa norma reduz a arrecadação: sem estimativa oficial.

Valor do primeiro pagamento, de julho de 2026: sem número oficial publicado. Em 2022, segundo a Receita Federal, 294 grupos multinacionais que atuam no Brasil cumpriam as condições da regra: 21 brasileiros e 273 estrangeiros.

Quem ganha

O Tesouro Nacional e a Seguridade Social, que recebe o dinheiro do adicional; empresas menores, que já pagam o imposto cheio e competem com grupos que pagavam menos.

Quem perde

Grandes grupos multinacionais que pagavam menos de 15% no Brasil, em geral por usarem incentivos fiscais ou deduzirem juros sobre o capital próprio, e que passam a pagar a diferença.

O principal risco

Os incentivos fiscais que o Brasil oferece para atrair fábricas perdem força para esses grupos, o que pode pesar na escolha de onde investir. Desde setembro de 2026, uma norma da Receita deixa parte dos incentivos ligados a gastos ou à produção contar como imposto pago, o que reduz esse efeito e também a arrecadação. Se grandes países ganharem mais exceções à regra global, empresas podem voltar a levar lucro para lugares de imposto baixo.

Em janeiro de 2026, a OCDE já aprovou um pacote de mudanças na regra, e a Receita ainda está adotando o resto dele.

Um exemplo real

Em agosto de 2025, a OCDE reconheceu, de forma provisória, o adicional brasileiro como um imposto mínimo nacional que segue a regra global. Com isso, segundo a Receita Federal, os outros países aceitam o valor pago aqui e não cobram de novo sobre o mesmo lucro. Sem o adicional, a diferença até 15% poderia ser cobrada por outro país onde o grupo atua; cerca de 36 países já tinham essas regras em vigor em 2024, segundo a Consultoria Legislativa do Senado.

Fontes:

Combinar com outros países um imposto mínimo para as pessoas mais ricas

Aumentar a receita

Ler a proposta
O que fazer

Levar ao G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, e à convenção sobre cooperação em impostos que a Organização das Nações Unidas (ONU) negocia desde 2025 a proposta de um acordo. Por ele, os países cobrariam um imposto mínimo das pessoas de patrimônio muito alto e trocariam informações sobre imóveis, criptoativos e outros bens no exterior.

Assim, ninguém deixaria de pagar imposto só por levar o dinheiro para outro país. Em julho de 2024, numa declaração assinada no Rio de Janeiro, os ministros de finanças do G20 disseram que vão buscar cooperar para que essas pessoas sejam tributadas de forma efetiva; a declaração não fixa um imposto mínimo.

Como se faz: o Ministério da Fazenda e o Itamaraty negociam. Um tratado só vale depois de aprovado pelo Congresso (Constituição, art. 49, I). A cobrança no Brasil depende de lei, que precisa ser lei complementar se for um imposto sobre grandes fortunas (art. 153, VII).

Quanto pode render por ano

Para um acordo entre países sobre as pessoas mais ricas: sem estimativa oficial para o Brasil. Um acordo ajudaria a proteger duas medidas brasileiras que já valem desde 2026, pela Lei 15.270, de 2025. A primeira é o imposto mínimo de renda de quem ganha mais de R$ 600 mil por ano, com alíquota que sobe até 10% para quem ganha R$ 1,2 milhão ou mais.

A Receita Federal estima que ele rende R$ 23,76 bilhões em 2026, R$ 27,22 bilhões em 2027 e R$ 27,54 bilhões em 2028. A segunda é o imposto de 10% na fonte sobre lucros e dividendos mandados ao exterior, com ganho estimado em R$ 6,18 bilhões em 2026, R$ 7,74 bilhões em 2027 e R$ 7,83 bilhões em 2028. Esses valores são das medidas brasileiras, não do acordo entre países.

Quem ganha

O Tesouro Nacional; e países como o Brasil, que perdem arrecadação quando grandes fortunas mudam de país.

Quem perde

Pessoas de patrimônio muito alto, que passariam a pagar um mínimo de imposto onde quer que guardem seus bens.

O principal risco

Sem a adesão dos países onde ficam muitas fortunas, a regra não funciona e o dinheiro vai para onde não há cobrança. Negociações no G20 e na ONU levam anos e o resultado é incerto, e a cobrança pode levar quem tem muito dinheiro a mudar de residência para países fora do acordo.

Um exemplo real

A declaração dos ministros de finanças do G20 sobre cooperação em impostos, assinada no Rio de Janeiro em julho de 2024, quando o Brasil presidia o grupo, diz que os países vão buscar cooperar para tributar de forma efetiva as pessoas de patrimônio muito alto. Ela também pede que as regras de troca de informações sobre criptoativos sejam aplicadas logo e convida a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a estudar a troca voluntária de informações sobre imóveis.

Fontes:

Abrir as compras do governo a empresas de outros países

Cortar gastos

Ler a proposta
O que fazer

Concluir a negociação para o Brasil entrar no Acordo de Compras Governamentais da Organização Mundial do Comércio (OMC). Nesse acordo, os países participantes aceitam empresas uns dos outros nas licitações dos órgãos que cada um lista. O Brasil pode deixar de fora áreas sensíveis, como já fez no acordo com a União Europeia (UE), onde as compras do Sistema Único de Saúde (SUS) ficaram de fora.

Mais concorrência nas licitações tende a baixar o preço que o governo paga. O Brasil é observador desse acordo desde 2017, pediu para entrar em maio de 2020 e apresentou sua oferta final em junho de 2022, segundo o relatório do próprio governo à OMC; a OMC ainda registra a adesão como negociação pendente.

Como se faz: o governo federal negocia na OMC; o tratado só vale depois de aprovado pelo Congresso (Constituição, art. 49, I); e as regras de licitação, que são da União (art. 22, XXVII), se ajustam por lei ou decreto.

Quanto pode render por ano

Quanto o governo economizaria: sem estimativa oficial. O tamanho do mercado em jogo: o Compras.gov.br, sistema oficial de compras do governo federal, movimentou mais de R$ 465 bilhões em 2025, em cerca de 282 mil contratações feitas por 3.346 órgãos públicos, segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2019, concluiu que a entrada no acordo costuma vir junto com mais produtos importados nas compras públicas. Segundo o estudo, eventuais perdas de emprego poderiam ser compensadas por mais exportações e por um setor público mais eficiente. Mas o Ipea não calculou a economia em reais.

Quem ganha

O contribuinte, se o governo pagar menos pelo mesmo produto ou serviço; empresas brasileiras, que podem disputar licitações nos países do acordo.

Quem perde

Fornecedores nacionais que hoje vendem ao governo com pouca concorrência estrangeira e podem perder contratos.

O principal risco

Perda de empregos em fornecedores locais e menos espaço para usar as compras públicas como política industrial. O Ipea alerta que a entrada só compensa se as empresas brasileiras ganharem mercado lá fora ou se o setor público ficar mais eficiente.

Um exemplo real

No acordo com a UE, o Brasil aceitou abrir parte das compras públicas a empresas europeias, mantendo fora todas as compras do SUS e preservando espaço para pequenas e médias empresas, pequenos produtores rurais, inovação e desenvolvimento industrial, segundo o governo federal.

Terminar o Portal Único e combinar com os parceiros o reconhecimento das empresas confiáveis

Eficiência do que já se gasta

Ler a proposta
O que fazer

O Portal Único de Comércio Exterior, sistema do governo federal que junta num só lugar os papéis de importação e exportação, já está em uso. Em fevereiro de 2026, passou a registrar, por dia, mais da metade das operações de importação do país. A proposta é concluir a migração e assinar acordos de reconhecimento mútuo do Operador Econômico Autorizado (OEA), certificado da Receita Federal para empresas de comércio exterior com bom histórico, com os parceiros dos acordos novos.

Com esse reconhecimento, a carga de uma empresa certificada num país tem tratamento prioritário no outro. O Brasil tem dez acordos desse tipo, entre eles com Estados Unidos, China e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), e nenhum com a União Europeia (UE).

Como se faz: a Receita Federal e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) cuidam do Portal, por decisão administrativa; os acordos de reconhecimento são negociados entre as aduanas.

Quanto pode render por ano

Mais de R$ 40 bilhões por ano de economia para as empresas quando o Portal estiver completo, segundo o MDIC, que não mostra a conta. Em 2024, o Ministério da Fazenda deu o mesmo número em dólares (mais de US$ 40 bilhões). A conta partia de três premissas: a meta de cortar de 9 para 5 dias o tempo para liberar uma carga, a regra de que cada dia de carga parada custa 0,8% do valor da mercadoria e os US$ 240 bilhões importados no ano anterior.

Essas três premissas dão cerca de US$ 7,7 bilhões por ano (conta do Prumo: 4 dias vezes 0,8% vezes US$ 240 bilhões), algo perto dos R$ 40 bilhões do MDIC; os números oficiais não batem entre si, então vale ler como ordem de grandeza. Efeito direto nas contas públicas: sem estimativa oficial.

Quem ganha

Importadores e exportadores, que gastam menos com espera e armazenagem; consumidores, se o custo menor chegar ao preço.

Quem perde

Terminais e armazéns que cobram por dia de armazenagem, que recebem menos quando a carga sai mais rápido.

O principal risco

Uma falha no sistema pode travar importações e exportações por dias, e liberar cargas mais rápido exige que a aduana continue achando contrabando e fraude. Os acordos de reconhecimento dependem de o outro país aceitar os critérios brasileiros.

Um exemplo real

Nas importações que já passam pelo Portal Único, a carga fica, em média, 19 horas a menos na zona portuária do que no sistema antigo, segundo o MDIC. O Brasil já tem acordo de reconhecimento do OEA com os Estados Unidos e com a China, segundo a Receita Federal.

Fontes:

Ideias que ficaram de fora

  • Negociar a retirada das sobretaxas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Não há estimativa oficial do que a retirada renderia por ano, e a parte já tem as duas propostas de crescimento e produtividade que uma parte pode ter.
  • Cobrar as dívidas atrasadas de outros países que o Fundo de Garantia à Exportação já pagou. Não há número oficial atualizado, e é um estoque, não um valor por ano.
  • Rever o subsídio do Proex Equalização aos exportadores. O Prumo não achou valor oficial atualizado do subsídio.
  • Receber pela floresta em pé pelo Fundo Florestas Tropicais para Sempre e ampliar o Eco Invest Brasil. Não há estimativa oficial do pagamento anual ao Brasil, e a parte já tem as duas propostas de aumentar a receita que uma parte pode ter.
  • Entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Não há estimativa oficial do efeito nas contas ou no PIB, e a parte já tem as duas propostas de crescimento e produtividade que uma parte pode ter.

Como este texto foi feito

Um modelo de inteligência artificial escreveu o diagnóstico e as 29 propostas em 31/10/2026, a partir de documentos oficiais: do Banco Central, do Tesouro Nacional, da Receita Federal, dos ministérios, da IFI do Senado, das consultorias de orçamento da Câmara e do Senado e de leis; nos exemplos de outros países, de órgãos oficiais deles e de organismos internacionais.

Um segundo agente de inteligência artificial conferiu os números nas fontes que eles citam. Um terceiro conferiu se as quatro linhas de pensamento aparecem de forma equilibrada em cada parte, se a linguagem é simples e se algum texto mira um partido ou um político. O que não passou foi corrigido ou tirado.

Nem toda proposta tem estimativa oficial do que rende por ano. Onde não há, o texto diz isso e mostra, com a fonte, o tamanho do gasto, da receita, do mercado ou do tempo em jogo. Algumas ideias ficaram de fora, e cada parte diz quais ficaram e por quê.

O texto revisado fica fixo no Prumo: nenhum modelo escreve na hora em que a página é montada ou aberta. Os números são os que as fontes publicavam no dia em que o texto foi escrito, cada um com a data do seu dado, e não mudam com os dados diários do resto do site.

As regras de todo o site estão em Como o Prumo mede.